Tribuna do Leitor

Rodrigo Agostinho


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Temos em Bauru, felizmente, o vereador e ambientalista Rodrigo Agostinho para nos representar. Lúcido, competente e corajoso, sua visão supera o pragmatismo imediato. Sabe que um ecossistema preservado gera a garantia de uma vida saudável, a sobrevivência das espécies vivas e um desenvolvimento socioeconômico equilibrado. Protestou contra a retirada de parte da vegetação nativa da área de 200 mil metros quadrados, destinada a um loteamento, conforme reportagem do JC, em 19/08/05, local de transição entre o cerrado e a mata atlântica.

Desmatamentos e queimadas em Bauru e no Vale do Igapó são sintomas de uma crise maior. Pessoas que acionam os órgãos responsáveis, para denúncia de crimes ambientais, percebem um “jogo de empurra” que impede ações rápidas e penalidades mais rigorosas. Funcionários competentes esbarram em estruturas burocráticas ineficientes e permissivas. Se a destruição da fauna e da flora ocorre a olhos vistos é porque as esferas do poder não têm desenvolvido ações efetivas para coibi-la, apesar da eficiência do sr. Barbieri, da Semma.

Embora a impunidade nessa área seja preocupante, inúmeros fatores são decisivos para a perda da biodiversidade: a crescente densidade populacional; o oportunismo, a alienação e a falta de educação ambiental da população; desrespeito à legislação; uso indevido do solo; especulação imobiliária, madeireiras, monoculturas e pastagens; avidez por lucros de uma elite concentradora de terras, entre outros. A reversão da degradação ambiental (quase impossível) custa mais caro do que a sua preservação.

A carta ao leitor do sr. Agostinho acerca deste desmatamento é criteriosa e pertinente; suas palavras refletem o pensamento de muita gente: “Ganância e egoísmo de empreendedores e brechas da legislação ambiental”. Essa mistura é fatal! E quando defende um bem que é de todos, por incrível que pareça, é intimidado, e contra ele é feito um boletim de ocorrência, acusado de “furtar” algumas plantas condenadas. A história é velha: pretendem uma inversão dos valores, mas, decerto, não serão pessoas criteriosas e políticos responsáveis, como o sr. Garmes, presidente da Câmara, que darão respaldo a isso. (Aliás, uma escritura de propriedade de terra não deveria estar acima da Constituição Federal, art. 225, que garante um ambiente ecologicamente equilibrado a todos, “impondo-se ao poder público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações”.)

Mesmo que os proprietários estejam amparados por autorizações legais e mantenham 20% do terreno como área verde, a vegetação nativa do referido loteamento será destruída, e, conseqüentemente, os animais e seu habitat, e querem convencer alguém de que o ambientalista cometeu um ato ilícito? Processos irrelevantes só ajudam a comprometer ainda mais o andamento da máquina administrativa.

A propósito, por que desmatamentos antecedem qualquer construção de projetos imobiliários? Por que a prefeitura exige a limpeza de terrenos com vegetação do cerrado? Muitos passam o trator e procedem à queimada como forma de resolver o problema, colaborando com o processo de devastação. Mais inteligente seria vender terrenos e lotes com as plantas preservadas, para que o futuro proprietário pudesse decidir pela manutenção de, pelo menos, parte da mata nativa. A população agradeceria muito essa atitude.

Em tempo: desarmamento já!

Camila Joaquim Carneiro - RG 25.311.600-4; Bruna Joaquim Carneiro - RG 32.589.105-9

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