É tão impressionante que já perdemos a conta das vezes em que, ao final de um ano, quando cumprimentamos os amigos e familiares, desejamos: “Feliz ano novo” e alguém responde: “Pior do que está não pode ficar”. E fica! Quando pensamos que já chegamos ao fundo do poço, angustiamo-nos com o presságio de que o poço não tem fim. Freqüentemente, ouvimos pessoas dizerem que se fossem mais novas, iriam para outro País. Sinceramente, eu não creio ser essa a verdadeira motivação para ficar. Sem perceber, muitos de nós, senão todos, absorvemos e vivenciamos o poema que diz: “Brasileiro, ama a terra em que nasceste. Não há no mundo, País mais belo que este.” As viagens e os documentários das mídias fascinam as pessoas que os assistem. Elas passam a ter a certeza de que nosso País tem uma riqueza imensurável de belezas naturais. Cada País, em função de sua localização geográfica, de sua topografia, de sua diversidade e riqueza da fauna e flora, tem destaque na exuberância de aspectos que prevalecem em uns ou outros. Assim, se não somos o País mais belo do planeta, não sei se algum outro terá mais belezas que o nosso. Pensemos nas riquezas minerais, vegetais e hídricas que possuímos. Destarte, somente o amor à Pátria, os eternos laços que construímos na família, na comunidade, no trabalho e no lazer justificam tanta decepção, tanto cansaço, tanta espera em vão pelo fim dos desmandos de nossos governantes. Quando nos casamos, entramos convictos de que a vida a dois será uma perene viagem num mar de calmaria. Muito breve, descobrimos que freqüentemente haverá ventos, tempestades e furacões de magnitudes diversas. Todavia, se a união está embasada no verdadeiro amor, confiança, respeito, tolerância, compreensão e na aceitação das deficiências do outro, bem como de suas diferenças, o relacionamento resiste a todas as dificuldades e segue incólume, solificando-se a cada nova batalha vencida. Infelizmente, o modelo capitalista, a eficiência das mídias em criar em tantos de nós uma importância superlativa às coisas materiais, menosprezando as coisas do coração e do espírito, faz com que muitas uniões se desfaçam por pequenos senões que não são devidamente avaliados. Quando nos pegamos extasiados com a beleza de rosas dos mais variados matizes, não raro sentimos a aguda dor de uma espetadela. Pelo nosso encanto com a flor, acabamos por esquecer do cuidado em evitar os acúleos. Entretanto, embora sejam muitos acidentes que atingem a integridade da nossa pele, amamos a cada dia mais as belezas com que Deus enfeitou a natureza para que nunca duvidássemos do imensurável amor dedicado à sua criação. Assim, só posso concluir que, apesar das decepções, revoltas, tristezas, descréditos e tantos outros sentimentos negativos, permanecemos aqui, lutamos e não desacreditamos no amanhã do Brasil, porque o amamos e o nosso amor supera em muito os sofrimentos decorrentes dos desmandos dos governantes que maltratam tanto nossa Pátria Amada.
Áureo Antonio Érnica - RG 5.364.772-5