Tribuna do Leitor

Mais uma armadilha


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Dizem que a mulher é o sexo frágil. Há décadas, as mulheres lutam cotidianamente, para provar o contrário e elas têm obtido grandes vitórias. No entanto, nos últimos meses, certos sinais de um possível retrocesso se tornam aparentes. O elevado número de venda das pílulas do dia seguinte mostra apenas uma coisa: mais uma vez, as mulheres estão cedendo às pressões de uma sociedade machista e colocando em risco a sua saúde.

Criado para ser um recurso de emergência, de uso esporádico, esse método anticontraceptivo vem sendo comercializado pelas farmácias em longa escala, principalmente nos finais de semana e nas segundas-feiras. Seus maiores consumidores são jovens de classe média e alta, que não podem, portanto, alegar ignorância e desinformação sobre assuntos como gravidez e aids.

Isso mostra que, na prática, o uso do preservativo nas relações sexuais entre jovens está mais vinculado à tentativa de evitar uma gravidez do que a de evitar o vírus HIV. Na realidade, essa é a sua finalidade. A pílula do dia seguinte não pode ser usada como uma alternativa ao uso do preservativo, mas é justamente isso que está ocorrendo entre muitos casais, nos quais, em grande parte, a mulher é convencida pelo seu parceiro a não o utilizar durante as relações sexuais, pois caso ela engravide, a pílula está aí a disposição.

E quanto a aids? Será que todas as mulheres podem confiar em seus parceiros e eles nelas? Embora o contrário também seja possível, ou seja, as mulheres podem também exigir que seus parceiros não usem preservativo nas relações sexuais, infelizmente, ainda hoje, quando o assunto é sexo e os riscos que ele contém, a mulher é a grande prejudicada. Não somente pela ignorância, mas também pelo preconceito e pelo comportamento da sociedade que, consciente ou inconscientemente, privilegia o homem.

Se a mulher pode ou não ser considerada o sexo frágil, a resposta é: certamente não. O foto é que hoje, devido não só à pressão vedada de uma sociedade machista, mas também à sua postura quanto à sua saúde, ela está frágil, pois continua a se diminuir para saciar o capricho do sexo oposto, quando, na realidade, ela também tem os seus direitos.

Heloísa Lazarini

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