Cultura

Municipal sem ar-condicionado

Thaís da Silveira
| Tempo de leitura: 4 min

Embora a última manutenção do Teatro Municipal Celina Lourdes Alves Neves tenha terminado há cerca de um mês, quando o espaço ficou fechado durante duas semanas, ainda há pendências a serem resolvidas que prejudicam tanto público freqüentador do local quanto a imagem de Bauru perante grupos musicais, de teatro e de dança de outras cidades. Uma delas é a falta de sistema de ar-condicionado.

O equipamento de ar-condicionado do teatro deveria operar com quatro motores. Entretanto, dois deles estão em manutenção em Birigüi desde o ano passado e, há alguns meses, o terceiro motor quebrou e está “guardado” na sede da Secretaria Municipal de Cultura (SMC), à espera de conserto.

O ápice do problema ocorreu no fim de semana retrasado, quando o único motor em funcionamento quebrou durante a sessão extra da peça “Três Homens Baixos”, no dia 21 de agosto. O público teve de suportar o aumento de temperatura durante a segunda metade do espetáculo.

Na sessão seguinte, às 20h, foi necessário abrir todas as portas do teatro, numa tentativa de amenizar o calor. “Quando terminou a sessão extra, as pessoas saíram reclamando muito do ar-condicionado. Na segunda sessão, deixamos as portas de entrada e da lateral abertas e apagamos todas as luzes do Centro Cultural para que a sessão pudesse ser realizada. Mas o som externo da avenida prejudica muito. Vários espectadores reclamaram. Teve gente que foi embora”, afirma a produtora de teatro Érika Dios, da EL Produções.

No começo da segunda sessão, um funcionário da SMC pediu desculpas ao público pela falha do sistema e recebeu vaias. Já os atores - Gracindo Júnior, Francisco Cuoco e Chico Tenreiro - pediram ventiladores portáteis para a coxia. “Já tivemos problema com ar-condicionado outras vezes. O problema é que 12% da renda bruta da peça vai para um fundo destinado, entre outras coisas, à manutenção do teatro. Então presume-se que deveria estar tudo em ordem”, frisa Érika.

SMC

O secretário municipal de Cultura, José Augusto Ribeiro Vinagre, atribui o problema à gestão passada e afirma que o sistema de ar-condicionado ficou sem manutenção durante cinco anos. “A manutenção deste último motor foi feita no final do primeiro semestre, mas ele está sendo forçado muito. A tendência é queimar”, argumenta.

Segundo Vinagre, dois motores estão em manutenção em Birigüi desde o ano passado. “Não sei porque eles estão em Birigüi, mas vamos recuperá-los e consertá-los para que voltem a funcionar normalmente”, diz.

O titular da SMC garante que em breve pelo menos um dos motores voltará a funcionar. Até o fim do ano, ele espera estar com dois motores em atividade. Para 2006, o secretário pretende colocar os quatro motores em funcionamento e estipular a manutenção mensal do sistema de ar-condicionado.

“Não precisa ter os quatro funcionando porque dois funcionam para o teatro e os outros dois são dimensionados para o restante do prédio”, justifica.

A 5.ª Mostra de Dança de Bauru, que começa na quinta-feira, corre o risco de ser realizada sem ar-condicionado. “Acredito que até o começo do mês isso já esteja resolvido”, avalia Vinagre.

A SMC interrompeu as atividades do teatro em meados de julho para que o prédio passasse por manutenção, reforma e adequações. O fechamento já estava previsto desde abril, quando o teatro completou cinco anos de atividades.

A principal alteração feita nesse período foram as mudanças na disposição das poltronas para facilitar a entrada e saída do público e ampliar a segurança. Antes, havia apenas um corredor central. Com a reforma, foram criados dois corredores laterais, deixando um bloco maior de poltronas no centro e quatro cadeiras nas laterais. Com isso, o espaço perdeu 44 lugares e agora soma 452 poltronas.

O Municipal ganhou também novas roldanas e cordas no palco - equipamentos que dão suporte à iluminação, aos cenários e às cortinas do teatro.

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Laudo

Outra pendência em relação ao Teatro Municipal Celina Lourdes Alves Neves é que até hoje ele não tem o laudo de vistoria do Corpo de Bombeiros. Segundo o major José Guerxes de Aguiar, comandante interno do 12.º Grupamento de Bombeiros, o documento estava dependendo principalmente da readequação das poltronas, que foi feita.

Em reunião realizada em julho entre o major e o secretário municipal de Cultura, José Augusto Ribeiro Vinagre, o Corpo de Bombeiros sugeriu à SMC a criação de uma porta do teatro com acesso à avenida Nações Unidas, com função de saída de emergência. O secretário afirma que o projeto está pronto, mas que a obra provavelmente será realizada somente no final do ano ou no começo de 2006 em função da agenda do teatro. “A questão das cadeiras já diminuiu bastante o tempo de saída do público teatro, quando ele está lotado”, diz Vinagre.

“Eles já sabem das alterações. Quando terminarem, vamos lá e vamos liberar o laudo. Mas o principal era a posição das cadeiras, que estava complicando o tempo de abandono do local. A saída para a Nações Unidas não era a exigência principal”, diz o major Aguiar.

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