Nas últimas sessões do Legislativo de Bauru, salta aos olhos e fere os ouvidos a cantilena em torno da questão da ponte “Ayrton Senna”. Os edis Futaro Sato e Antonio Faria Neto, por exemplo, tendo sido “manobristas” do apelidado Trem Bala, contribuíram com seus votos em 1996 para a aprovação do ruinoso empréstimo de R$ 10 milhões, destinado a “concluir” o viaduto inacabado sobre os trilhos da ferrovia. Até hoje, mesmo desembolsando milhões e milhões de reais, o erário municipal continua pagando uma fábula pela obra que aí está como um elefante de concreto. Além da dívida bancária contraída junto ao Chase Manhattan - que deve estar em cerca de R$ 30 a R$ 40 milhões, pagáveis em 30 anos - por força da generosidade do Trem Bala, existe o crédito suplementar da empreiteira Camargo Correa, cujo montante deve girar em torno de R$ 8 a R$ 10 milhões.
Se por um milagre a prefeitura puder saldar essa dívida, terá ainda o ônus de contratar o término do viaduto. Quanto custará essa lambança? É impossível fazer cálculos a esta altura. Muito bem: o que diz o Poder Legislativo, hoje extremamente cordato e paciente diante do Executivo? Os vereadores citados e outros tantos fingem ignorar o vulto do estrago da gigantesca obra inacabada e se limitam a lamúrias em torno da ponte Ayrton Senna! Acusam-me de ser o responsável pelas fissuras que originaram a interdição daquela obra! Como se eu fosse arquiteto, engenheiro ou perito em construções de concreto...
Quem, lá fora, lê sobre as estrondosas lamúrias de vereadores oportunistas, certamente imaginará que a Ayrton Senna é algo como a Golden Gate dos Estados Unidos. No entanto, quanto custou a construção da ligação Distrito Industrial-Chapadão? Cerca de R$ 230 mil no contrato original, lavrado mediante licitação pública vencida pela Tofer Engenharia, de Piracicaba. Valor coberto por uma emenda ao Orçamento federal, com pequena contrapartida da prefeitura. Essa ponte funcionou sem problemas por mais de dois anos, antes da interdição.
Quando ocorreu a avaria, meu governo entrou de imediato no Judiciário com Ação Ordinária de Indenização para obrigar a construtora (se provado for que o defeito ocorreu por culpa dela) a indenizar o município (processo n.º 1123/03 - 5.ª Vara Cível de Bauru).
Com autorização judicial e mediante laudo emitido por perito competente, operários da prefeitura, sob fiscalização de nossos engenheiros e do secretário de Obras, estiveram vários meses trabalhando dentro e nas margens do Rio Bauru para garantir o reparo da ponte. A qual, segundo veredicto do perito judicial, está devidamente reforçada e pronta a receber o aterro envelopado. As obras da ponte foram pagas integralmente, bem como todo o material e mão-de-obra utilizados nos reparos. Por que os vereadores lamurientos não trocam suas críticas infundadas por um preito de justiça aos operários municipais, elogiando sua competência e força de vontade?
Pela centésima vez esclareço que a ponte não teve sua conclusão “apressada para permitir minha reeleição em 2000”. Ao contrário: a entrega se deu sem festa de inauguração, vários meses depois do prazo contratual. Os repasses da verba federal atrasaram e por isso a construtora concluiu os trabalhos além do previsto no contrato. Indiferentes a esse esclarecimento, os críticos de plantão continuam insistindo em sua esdrúxula tese.
Leiam, por favor, os processos nos âmbitos administrativo e judicial, senhores vereadores! Dêem-se a esse trabalho (os autos se encontram no setor jurídico da prefeitura) e deixarão de falar bobagens. A população não merece ouvir desinformações ditadas por ódio político-partidário. A ponte Ayrton Senna custou pouco, funcionou por mais de dois anos, falta um mínimo de obra (o aterro) e está sendo amaldiçoada. E o viaduto de R$ 40 milhões, cuja conclusão se torna muito problemática, passa em branco para os integrantes do Trem Bala? Ou eles, se levantarem o problema, irão dizer que “a culpa é do Nilson Costa”?
O autor, Nilson Costa, é jornalista e ex-prefeito de Bauru