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PF apreende documentos no Rural e em casas de câmbio

Folhapress
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Belo Horizonte e Londrina - A Polícia Federal (PF) cumpriu ontem em Minas Gerais e no Rio 19 mandados de busca e apreensão de documentos na sede do Banco Rural, na residência de um diretor e na de outro ex-diretor e também em casas de câmbio.

A PF busca provas de remessas ilegais de dinheiro para o exterior de três empresas offshores que transferiram dinheiro do caixa dois de Marcos Valério de Souza, o operador do suposto “mensalão”, para uma conta do publicitário Duda Mendonça no paraíso fiscal das Bahamas.

As offshores (empresas virtuais com sede em paraísos fiscais) Trade Link Bank, supostamente ligada ao Rural, Deal Financial Corporation e Radial Enterprise são investigadas pela força-tarefa do Banestado (já extinto) desde que foi criada em 2003.

A operação de anteontem, denominada “Lavoura” (analogia com Rural), é um desdobramento desse trabalho. Acusado de ser aliciador de “laranjas” em esquemas de remessas ilegais, Odilon Bacellar Neto é um dos principais fornecedores de informações para autoridades.

Embora sem relação direta, pois se tratam de apurações diferentes, essa operação pode ajudar nas investigações sobre o “mensalão”, já que as três offshores estão entre as oito empresas virtuais que transferiram recursos para o Exterior para Duda, que imputa essas remessas a Marcos Valério.

A Trade Link Bank é a principal origem dos repasses que abasteceram a conta de Duda, com US$ 827 mil, de acordo com os extratos apresentados pelo publicitário às CPIs dos Correios e do Mensalão. A Deal Financial enviou US$ 116 mil, e a Radial Enterprise, US$ 98 mil. No total, Duda recebeu na offshore Dusseldorf Company Ltd., nas Bahamas, supostamente aberta para essa finalidade, conforme disse, R$ 10,5 milhões do caixa dois de Valério.

Remessas para Duda também foram enviadas por meio do Rural Europa e do Rural International Bank, empresas do Grupo Rural no exterior. “Essa investigação (“mensalão”) não necessariamente tem a ver com o caso de agora, mas pode ter. É possível que surjam outros ilícitos decorrentes dessa operação Banestado”, disse o delegado Alexandre Leão, do setor de Comunicação da PF em Belo Horizonte.

A força-tarefa do Banestado é integrada pelo Ministério Público Federal, PF e Receita Federal. O objetivo principal é estabelecer relações entre as remessas ilegais para o exterior, utilizando offshores e doleiros.

Na operação de ontem, os mandados foram expedidos pela 2.ª Vara da Justiça federal do Paraná, onde se concentra os trabalhos da força-tarefa e para onde toda a documentação apreendida será levada.

As buscas foram coordenadas por um delegado da PF de Curitiba e outro de Brasília. A operação envolveu cerca de 70 pessoas, entre delegados, agentes e escrivães. A reportagem acompanhou as buscas em três locais. Às 8h55, duas equipes da PF chegaram à sede do Rural, no centro de Belo Horizonte, em carros da corporação, e lá ficam por quase quatro horas.

Os policiais foram direto para os andares da diretoria do banco e saíram às 12h40 sem dar informações. A PF também realizou busca na casa de Guilherme Rocha Rabello, diretor do Banco Rural.

Os policiais chegaram às 9h10 em um automóvel com chapa fria e apreenderam apenas um lap-top. Enquanto os agentes faziam a busca, um policial consultava, por telefone, a sede da PF, confirmando que uma pistola do empresário estava com registro regular.

A busca durou cerca de uma hora e foi parcialmente acompanhada por Maurício Campos, um dos advogados do Banco Rural. Guilherme Rabello não quis se manifestar. Campos acompanhou também a operação na sede do banco - cuja assessoria confirmou ter ocorrido ainda buscas na casa do ex-diretor José Henrique Horta Neves. A duas quadras da sede do Rural, outra equipe fazia buscas na empresa Radial Participações. Essa empresa teria relação com a Deal Financial Corporation.

Um dos sócios da Radial Participações é o empresário João Bosco Assunção Esteves, irmão de Camilo de Lélis Assunção, um dos quatro doleiros presos em Minas há no ano passado na operação Farol da Colina - que prendeu 60 doleiros em vários Estados. Lá foram recolhidos duas caixas e um saco de documentos.

Quando a PF chegou, por volta das 9h, havia apenas dois funcionários. Um chaveiro foi chamado para abrir um cofre e uma porta. Acabou abrindo apenas a porta, pois uma funcionária apareceu com a chave do cofre. Os policiais deixaram o local às 15h. O mandado judicial de busca na Radial informava que a operação tinha por objetivo apreender “documentos e quaisquer outros meios de prova relacionados à manutenção de contas mantidas ou operações financeiras no Exterior, bem como às offshores Trade Link Bank, Radial Enterprise e Deal Financial”.

O delegado Alexandre Leão disse que as investigações correm em segredo de Justiça e que por isso não poderia falar nomes de empresas e de pessoas.

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