Em 13/03/05, tive uma carta publicada nesta Tribuna, relatando viagem feita em ônibus circulares municipais e intermunicipais na Baixada Santista, em que os coletivos não possuíam cobradores, acumulando o motorista a dupla função, resultando em atrasos e falta de segurança entre outros problemas. Na oportunidade, solicitava para que nossas autoridades municipais não permitissem que semelhante sistema fosse implantado em Bauru. Clamei no deserto! O sistema foi aqui adotado, ainda que parcialmente, em dias e horários específicos, como também em algumas linhas em definitivo. Não tenham dúvidas de que em breve a função de cobrador de ônibus urbanos será extinta em nossa cidade. Diante desse fato irreversível, será importante analisarmos a questão pelo prisma do empregado, das empresas, do poder público, e do usuário.
Por parte do empregado, este sabe da rotatividade que existe em toda cadeia produtiva, com a criação de novas atividades e fechamento de outras. Portanto, esse profissional, quando de sua demissão, procurará um novo trabalho, e, dependendo da sua capacidade, poderá até conseguir um emprego melhor, notadamente na área de atendimento ao público, isso para aqueles que são solícitos e atenciosos. Todavia, para aqueles cobradores que estão lá apenas para cumprir o horário, infelizmente não haverá uma chance nessa área, porém, isso não significa que ficarão desempregados, pois certamente encontrarão outra atividade profissional, e serão até mais felizes!
Por parte das empresas, elas, como diz o ditado popular, “não estão nem aí”. O negócio delas é ganhar dinheiro, e isso significa reduzir custos ou aumentar tarifas. Nessa primeira etapa, conseguiram uma redução parcial de seus custos com a utilização de menor número de cobradores, em seguida, conseguirão redução ainda maior com a eliminação do cargo; e então, voltarão novamente a solicitar aumento de tarifas, as quais, após “rigorosa análise das planilhas apresentadas”, obterão, como sempre, a concordância do Poder Público Municipal. Afinal, ninguém do Executivo e do Legislativo utiliza o transporte coletivo, e não sabe das dificuldades que sofre quem depende do mesmo! Não é preciso ser adivinho para saber onde arrebentará a corda. Nós, usuários do transporte coletivo municipal, continuaremos a receber um serviço de baixa qualidade e pagando cada vez mais por isso!
Em tempo: Em minha carta do dia 13 de março, faltou a informação de que a empresa concessionária de transporte coletivo da Baixada Santista pertence ao mesmo grupo empresarial das concessionárias daqui de Bauru.
Antonio Vitorino Ferreira - RG 9.817.501