Regional

Projeto foi gerado no coração, diz prefeito

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 2 min

Para conseguir enxergar o Espaço Crescer "Vereador Antonio Garla" como o prefeito Enio Simão é preciso soltar a emoção. São mais de mil pré-adolescentes carentes que diariamente se dedicam a música erudita, trabalham com argila, artesanato, informática, esporte etc. Ou simplesmente levam as bonecas para passear nos jardins, coisa que não poderiam fazer em casa, já que a boneca não lhes pertence.

Para participar de qualquer tipo de atividade, os jovens de 7 a 17 anos e 11 meses têm que estar matriculados na escola, explica a diretora Sônia Aparecida Casarin Garla. “Nós acompanhamos o desempenho deles na escola. Se eles perdem o fio da meada, temos grupos de reforço e para ajudar nas tarefas.”

Mas para o prefeito e idealizador do espaço, o projeto é mais que isso. “O Espaço Crescer nasceu do coração. Ele me dá muita alegria e compensações. Na administração pública a gente sofre muitas decepções e nervoso, que somem, assim que eu vejo uma criança numa atividade dessas que é oferecida gratuitamente para elas.”

Para ele, o Espaço Crescer é uma oportunidade inédita direcionada para esse público. “Essas crianças estão tendo oportunidades que elas jamais teriam se não fosse ali. Eu quero oferecer mais. Considero que ainda é pouco.”

Simão promete que até o ano que vem vai implementar com aulas de flauta doce. “Os alunos de violino estão sendo preparados e esse ano devem gravar um CD. Isso vai facilitar as oportunidades para eles, buscando uma fatia pouco explorada.”

Ele se emociona em contar como nasceu o projeto musicrescer. “A professora Nanci Domingues apresentou-o para outras pessoas. Elas engavetaram porque não acreditavam no potencial dessas crianças com o violino.”

No dia que tive acesso ao projeto, até porque adoro música, chamei a professora no dia seguinte. “Perguntei a ela de quantos violinos ela precisava. Ela respondeu que 30 para dar certo. Comprei os 30. A Câmara Municipal criticou. Disseram que eu estava gastando dinheiro com violino e que criança pobre não ia aprender a tocar.”

Passados poucos mais de um ano, todos falam bem. “O espaço é referência regional e apresenta Duartina. Tenho orgulho de vê-los tocando.”

A professora Nanci Domingues ressalta que a gravação do CD está programada para novembro e o lançamento para o mês seguinte. “Estamos estudando as músicas que serão gravadas, algumas já estão escolhidas.”

Para ela, os alunos estão sendo preparados para serem, no futuro, profissionais de música. “Estamos ensinando e ensaiando eles há pouco mais de um ano. Quando eles tiverem no quarto ou quinto ano estarão aptos a fazer o exame de qualificação em Tatuí”, prevê.

Ela explica que para atingir esse estágio, os alunos precisam de muito treinamento. “Como a maioria deles não tem como ter o instrumento e treinar em casa, a renda do CD será revertida para a compra de violinos. Pretendo adquirir um para cada um.”

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