Cultura

‘Padeirinho da Mangueira’

Thaís da Silveira
| Tempo de leitura: 2 min

Oswaldo Vitalino de Oliveira, o Padeirinho da Mangueira, como muitos outros gênios nacionais, não alcançou em vida o reconhecimento merecido. Sua obra, por sua vez, subiu alguns degraus na voz de nomes como Jamelão, Aracy de Almeida, Nara Leão, Chico Buarque, Beth Carvalho e Paulinho da Viola, entre outros.

Injustiças à parte, este é o nome de um dos principais sambistas brasileiros e um dos responsáveis pela criação do tão popular samba-enredo que conduz as festas dos Carnavais de hoje. Sua história pode ser conhecida através do livro “Padeirinho da Mangueira - Retrato Sincopado de um Artista”, assinado pelo jornalista Franco Paulino.

Das noites mal dormidas sobre o forno da padaria em que o pai trabalhava ao sofrimento dos últimos dias de vida, passando pelas festas e conquistas na Estação Primeira e pela fase crítica de alcoolismo, o autor escreve com o cabedal de quem sabe (e muito bem) do que está falando. Paulino foi amigo pessoal de Padeirinho.

“O Padeirinho é seguramente um dos sambistas mais importantes deste País. As músicas deles estão em discos do Tom Jobim, Chico Buarque, Elza Soares, João Nogueira, Beth Carvalho, Paulinho da Viola, Martinho da Vila, Germano Mathias, Jamelão e muito mais gente. E, no entanto, a história não tem reconhecido a importância do Padeirinho”, diz o jornalista.

Ele destaca a genialidade da linguagem acessível de seus sambas, que entretanto não eram versados em quadras, mas em sextilhas de rimas emparelhadas. Padeirinho era considerado o mestre do samba sincopado.

“Na história do samba, ele foi um estilista, um renovador, que é coisa muito rara. As pessoas que gostam de samba e mergulham no estudo do samba de verdade, têm certeza de que ele foi um renovador, uma pessoa que deu um formato criativo ao samba. As pessoas que hoje fazem sucesso com o samba, como Zeca Pagodinho, Jorge Aragão e Nei Lopes, todos adoram o Padeirinho e, no entanto, ele é uma pessoa à margem da mídia”, completa Paulino.

Durante cerca de dois meses, o autor dedicou seus fins de semana a escrever o livro que traz à tona a história de um artista que venceu a miséria e o analfabetismo para se tornar poeta. “Ele sempre criou, o negócio dele era a informação, não era a redundância. O samba dele era original e surpreendia pelo elemento novo. Daria para escrever mil páginas sobre ele”, frisa o jornalista, que também trabalha como publicitário.

Paulino não considera seu livro uma biografia, mas um perfil biográfico feito no formato de uma reportagem literária. “Eu acho que uma reportagem bem escrita vale mais do que um romance mal escrito”, conclui.

• Serviço

O livro “Padeirinho da Mangueira - Retrato Sincopado de um Artista” está à venda no site www.letras virtuais.com.br.

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