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Lula sinaliza possível queda de juros

Por Epaminondas Neto | Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

São Paulo - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez um discurso ontem em que se defende de críticas a sua gestão, sugere que a taxa de juros deve começar a cair e ainda afirma que “caiu do cavalo” quem quis fazer conflito político pensando que poderia “tirar a economia dos trilhos”.

“Se alguém achou que ia criar conflito político e a economia ia sair dos trilhos (por causa disso), caiu do cavalo”, disse o presidente na abertura da ExpoAbras 2005, um congresso do setor supermercadista, que acontece na capital paulista.

O presidente também sugeriu que a trajetória da política econômica deve mudar de direção. “Obviamente, nós entendemos que os juros, agora, têm que entrar numa rota diferente do que fez até agora, porque a inflação me parece que está definitivamente controlada”, disse ele.

O presidente fez um discurso voltado para suas realizações no campo econômico, com poucos improvisos, menções ocasionais ao momento político e críticas à gestão anterior. “Hoje, o Brasil vive um ciclo de crescimento sem inflação, muito diferente da instabilidade sem crescimento e sem exportação, do passado”, disse o presidente, em uma frase síntese de seu discurso.

Ele ocupou a maior parte de seu discurso para defender a tese de que a economia brasileira atravessa um momento diferente das décadas anteriores com diferenças de fundo estrutural. O presidente afirmou ainda que a situação das contas externas, com exportações superiores a US$ 111 bilhões no acumulado do ano, reduziu a vulnerabilidade externa do País.

“É forçoso reconhecer que a economia entrou em uma nova dinâmica. A revolução da oferta, o fôlego da demanda, os resultados das contas externas e sobretudo, a retomada dos investimentos, configura um ciclo de solidez inédita nas últimas décadas da nossa história.”

Salário mínimo

O presidente comentou ontem o veto ao salário mínimo de R$ 384,00 aprovado no Senado e que depois foi ajustado para R$ 300,00 na votação final na Câmara.

Segundo ele, o mínimo de R$ 384,00 foi uma tentativa de desgatá-lo politicamente porque quem votou sabia que era inviável para as prefeituras e governos. “Felizmente, a Câmara aprovou um novo salário mínimo, que se não é o melhor dos mundos, mas pelo menos está mais ajustado”, disse.

Lula defendeu que houve um aumento do poder de compra nos últimos meses ao comparar o valor da cesta básica sobre o mínimo. Segundo o presidente, o salário mínimo era equivalente a 67% de uma cesta básica em julho do ano passado, valor esse que foi ajustado para 54% em agosto desse ano.

O presidente também anunciou a criação de uma nova secretaria, voltada para o setor de comércio e serviços, e vinculada ao Ministério do Desenvolvimento. Sem dar maiores detalhes, ele afirmou que a nova secretaria deve servir para o setor de comércio discuta com o ministro quais os melhores indicadores de preços para o reajuste de tarifas.

Lula também aproveitou seu discurso para rebater críticas ao aumento da carga tributária durante sua gestão. Na abertura do evento, o presidente da Abras, João Carlos de Oliveira, afirmou que a carga tributária aumentou de 24% para 46% durante a gestão do presidente.

O presidente respondeu que no seu primeiro ano de governo foi aprovada uma reforma tributária que “mais ou menos” resolveu a questão pelo lado do governo federal, mas que era necessário aprovar a segunda etapa dessa reforma. De acordo com Lula, a segunda parte dependeria dos governos estaduais, já que se trata de unificar a alíquota do ICMS. “Depende agora de interesses regionais e locais.”

“A parte pertinente ao governo federal foi mais ou menos resolvido. Agora, tem que ser votada a parte pertinente aos Estados brasileiros.” Para Lula, os empresários têm que pressionar governadores e deputados para votarem o restante da reforma.

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