Bairros

Incêndios crescem 71,8% em agosto

Ricardo Santana
| Tempo de leitura: 3 min

O número de incêndios atendidos pelo Corpo de Bombeiros em Bauru cresceu 71,8% em agosto na comparação com o mesmo mês de 2004. Ao todo, os bombeiros atenderam 134 ocorrências no mês passado, contra 78 no mesmo período do ano anterior. As ocorrências do mês passado também superaram as atendidas no mesmo período em 2003 e 2002. A combinação de ar seco, falta de brisa e altas temperaturas é apontada como uma das causas desse aumento de uma maneira geral.

Para o tenente do 12.º Grupamento de Bombeiros de Bauru, Cláudio Ribeiro da Silva, o que mais contribui para o fogo em terreno baldio, cerca de 90% das ocorrências, foi a baixa umidade do ar. Durante 25 dias consecutivos de agosto, não caiu um milímetro de água em Bauru. Porém, os 13 milímetros de chuva acumulados no mês desaguaram em um único dia, 27, mantendo a média de precipitação de chuva para agosto. Entretanto, Silva considera como um fator favorável aos incêndios o fato da chuva ter se concentrado no final do mês.

Ele explica que não é possível atender todas as ocorrências e, desse modo, a corporação prioriza as de maior gravidade, sobretudo se a vida humana está em risco. A prioridade é para incêndio próximo a imóveis, local com pessoas, margens de rodovias e áreas de preservação, como margens de rios.

Sem umidade

No dia 23 de agosto último, o Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet) da Unesp de Bauru registrou níveis de umidade do ar baixíssimos, na casa dos 20% no início da tarde. A união de três fatores, ar seco - falta de brisa e altas temperaturas - contribuiu para a ocorrência de incêndios. Sob o sol de agosto, houve dias com temperatura de 30,8 graus e umidade do ar de 20%, que são determinantes para a sensação de calor intenso.

Durante as tardes do mês passado, registrou-se médias de temperatura de 28,5 graus, índices parecidos com os de anos anteriores. O recorde do mês foi no dia 14, quando o IPMet marcou 31,6 graus. A mais alta para a época foi de 34,2 graus, registrada no ano passado.

A umidade relativa do ar refere-se à quantidade de vapor na atmosfera e, no patamar de 20%, é decretado estado de atenção, conforme as normas estabelecidas pela Organização Mundial de Meteorologia (OMM). Durante o dia, de acordo com os meteorologistas do IPMet, a umidade do ar ideal seria de pelo menos 50%.

O coordenador da Defesa Civil, Álvaro de Brito, avalia que a baixa umidade do ar é determinante para aumentar os focos de incêndio em terrenos baldios, principalmente na estação seca nos meses de junho, julho e agosto. Brito acrescenta que o ar seco, como nos 25 dias consecutivos sem chuva em agosto, facilita a propagação das labaredas.

“O combustível do fogo é o ar. Se tiver seco, a propagação vai ser muito maior.” Ele acrescenta que o fogo em mato na área urbana ou rural também sofre influência do relevo, da altitude, ventos e se desenvolve de forma diferente dependendo do período do dia.

A estação seca, com baixa umidade do ar, é capaz de provocar queimadas em locais improváveis. Segundo Brito, na zona rural é comum incêndio em brejo no período de seca prolongada, porque a umidade se concentra próximo à raiz da vegetação, mas sobre o solo está seco. “A pessoa dorme com o fogo longe da residência acreditando que ele não vai atravessar e acorda com o incêndio ao lado de casa”, conta. Para Brito, a variedade de vegetação presente no cerrado, típica da região de Bauru, contribui para a propagação do fogo.

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Chuva em agosto

Segundo o Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet) da Unesp de Bauru, o mês de agosto apresenta uma taxa histórica de chuva de 30 milímetros, abaixo da média de setembro, que é de 59 milímetros.

Conforme o IPMet, nos últimos 50 anos, a média de número de dias chuvosos em agosto é quatro. Cada milímetro de água de chuva corresponde a um litro d’água por metro quadrado.

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