Telas, panos de prato pintados à mão, peças em tricô e crochê, louças, artesanato em madeira e pedra e muitas outras coisas que antes os moradores de Bauru encontravam na Feira de Artesanato Ubá, realizada no Parque Vitória Régia, e na Feira de Integração Comunitária das Administrações Regionais (Ficar), nas praças Rui Barbosa e Portugal, agora podem ser apreciadas também na Marambarte, a Feira de Artesãos do Jardim Marambá.
Trata-se da primeira feira de artesanato descentralizada de Bauru, cuja primeira edição foi realizada na tarde de ontem, das 14h às 20h, na Praça Anacleto Chaves, localizada no final da avenida Duque de Caxias.
Participaram do evento mais de 40 artesãos do Jardim Marambá e de bairros da região, como Vila Engler, Vila Paulista, Vila Nova Cardia e Jardim Paulistano. “Colocamos como regra restringir à participação dos artesãos dos bairros próximos para que a feira tenha a cara do bairro. Outras pessoas estão ligando e querendo participar. Nas próximas edições, pode até ser que a gente mude alguma coisa, mas fizemos assim para começar e ver como vai serâ€, explica Neli Del Nery Prado, coordenadora da feira.
A idéia da Marambarte surgiu há cerca de três meses, entre os próprios moradores do Jardim Marambá. O objetivo, além de vender os produtos feitos pelos artesãos do bairro, é criar um espaço de socialização dos moradores, aproveitando uma praça grande e até então subutilizada.
“Queremos criar um ambiente na praça para que a sociedade participe e brinque, para melhorar o relacionamento social entre as pessoas. É uma oportunidade para a comunidade de usufruir de uma praça pública grande que existe no bairroâ€, reforça Neli.
Além das barracas dos artesãos, foram instalados na praça um pula-pula e uma cama elástica para que as crianças pudessem brincar gratuitamente. “Também contamos com apoio de uma academia, que vai promover aulas de ginástica na praça. E queremos fazer atividades de pintura com as criançasâ€, acrescenta a coordenadora.
Inicialmente, a Marabarte ainda não tem periodicidade fixa. Os organizadores estão avaliando as possibilidades de realizá-la mensalmente ou bimestralmente.
“Isso é importante para o crescimento do local. Além disso, descobrimos muitos valores no bairro que não conhecíamos e que estavam escondidos. Tem muita gente que faz coisas lindas e a gente não conhece. Queremos dar oportunidade a todos e a tudoâ€, reforça Neli.
Aprovação
Muitos moradores do bairro aprovaram a idéia da feira. â€œÉ bem legal porque a gente fica conhecendo os artesãos do bairroâ€, diz Silvana Zonzini, moradora do Jardim Marambá. “A praça tem que ter atividade de lazer. Tem que ter movimento, se não fica morta e sujaâ€, acrescenta.
Para a artesã Maria Silvia Soares Rodrigues, que mora no Parque das Camélias e é assistente social desempregada, a feira é mais uma opção de complemento da renda familiar. “Eu também exponho na Ubá, mas essa feira no bairro também é muito importante para nósâ€, frisa.
A coordenadora geral da Ficar, Sônia Bráz, avalia como interessante a iniciativa de criar feiras de artesanato descentralizadas. “Pretendemos dar apoio para que os artesãos dos bairros se levantem. E já observamos que o artesanato em Bauru está se fortalecendo. Apesar da crise, o público comparece às feirasâ€, enfatiza.
Ela afirma que a organização da Ficar tem planos de tornar a feira itinerante, criando um calendário para que ela circule pelos diversos bairros da cidade. Atualmente, a feira é realizada nos dois primeiros sábados do mês na Praça Rui Barbosa, no Centro, e no terceiro sábado do mês na Praça Portugal, no Jardim Estoril. É aberta a artesãos de Bauru, que podem se cadastrar na Secretaria das Administrações Regionais (Sear).
Para a doméstica Evanira Viana, moradora do Núcleo Mary Dota, que freqüenta a Ficar na Praça Rui Barbosa, seria interessante levar as feiras de artesanato para os bairros. “Eu gostaria que tivesse uma feira desse tipo no meu bairro. Acho que teria bastante movimento. Minha filha, por exemplo, faz artesanato em casa e poderia começar a vender na feiraâ€, argumenta.