Era uma vez, há muitos e muitos anos atrás, em uma cidadezinha que se chamava Piratininga, onde existia uma pracinha que talvez por ironia ou por abrigar a igreja matriz tinha o nome de Virgem Imaculada, mas de imaculada nada tinha.
Algumas pessoas construíram suas moradias nas proximidades de onde passou a existir tal praça; mas na praça e nas ruas que a cercavam, todos os freqüentadores do referido local, como ainda não existia naquela época o que hoje conhecemos por banheiro público e fiscalização sanitária, eram obrigados a fazer suas necessidades fisiológicas na praça e defronte às residências e, conseqüentemente, dos moradores do local.
Naquela época, o poder público ainda não podia fiscalizar as tabernas e os vendedores ambulantes que vendiam um líquido que continha um teor alcoólico, que aos poucos embriagava as pessoas, podendo inclusive causar dependência.
Os moradores cansados desses problemas e de ver a porta de suas casas transformadas em palco para campeonato de som de carroções, resolveram procurar os administradores que os representavam junto ao poder público na cidade. Mas surgiu outro problema: eles também representavam os muitos freqüentadores da pracinha, que se tratavam de pessoas mais jovens e com maior poder de voto que os moradores que eram poucos e idosos, e naquele tampo também não se respeitava os idosos. Pensou-se então em chegar a um consenso que seria dificultar a permanência dos carroções na praça após as 23h.
Estavam todos satisfeitos, mas os pobres moradores não sabiam que se tratava de mais um plano para iludi-los, pois foram fixadas placas regulamentado o acordo, porém, havia uma observação nas placas dizendo que não poderia estacionar nem parar os carroções onde houvesse pintado no solo uma faixa amarela. Mas os pobres moradores não sabiam que esta faixa só seria pintada com uma tinta muito cara e especial que brilhava no escuro, porque naquela época também não existia iluminação pública em Piratininga, e se fosse qualquer tinta amarela as faixas não poderiam ser vistas pelos condutores dos carroções. E assim todos os freqüentadores da praça viveram felizes para sempre. Ah! Os moradores? Morreram todos, eram velhos mesmo. (Que bom se fatos assim só existissem no mundo fábulas). (Antonio Aparecido Pagamisse - RG 3.523.069)