Política

Congresso: temos chance em 2006?

Gilmar Dias
| Tempo de leitura: 3 min

No limiar de um novo período político, condimentado pela esperança de uma fase duradoura de recuperação, a sociedade organizada de Bauru começa a voltar suas atenções para as eleições do ano que vem. Há uma pergunta que incomoda a cidade: há alguma chance de se eleger um deputado federal? Mesmo com colégio eleitoral (220 mil eleitores) com fôlego para ter um parlamentar federal, o município, desde 1998, está privado de representante em Brasília.

Dois fatores contribuem para essa ausência: a dificuldade de somar votos suficientes em Bauru e na região, o que poderia garantir a eleição do representante, e o alto custo publicitário da campanha, que envolve milhares e milhares de reais. Fatores secundários, como os famosos pára-quedistas e o número elevado de candidatos na cidade, também são levados em consideração.

Na última eleição, em 2002, o então candidato à Câmara dos Deputados Caio Coube (PSDB), obteve uma expressiva votação - 73 mil votos - e mesmo assim não conseguiu alçar vôo a Brasília. A linha de corte no partido tucano chegou à casa dos 100 mil votos. â€œÉ difícil responder se vamos eleger um federal. Embora tenhamos um colégio eleitoral que já chega a 220 mil votos, é preciso lembrar que um terço desse total vota em candidatos desvinculados de Bauru”, aponta.

O tucano tem razão. Somente três candidatos a deputado federal levaram de Bauru, em 2002, quase 20 mil votos - José Dirceu (PT), 7.439; Bispo Batista (PFL), 6.161; e Enéas Carneiro (Prona), 6.148. Na avaliação de Coube, o único político bauruense com poder de fogo para galgar Brasília é o deputado estadual Pedro Tobias (PSDB). Com 124 mil votos nas últimas eleições, Tobias teve performance eleitoral de parlamentar federal.

Mas ele vai logo avisando que há 90% de chances de disputar a reeleição à Assembléia. “Os eleitores de Bauru precisam deixar de votar em representantes de segmentações religiosas, de entidades de classe, para valorizar os candidatos daqui”, alfineta. Como todo bauruense consciente, o tucano sonha com o consenso dos partidos em torno de um ou dois candidatos. “Mas acho difícil isso ocorrer”, apressa-se em reavaliar.

Saudosista, o ex-prefeito Nilson Costa (PTB) lembra dos tempos em que Bauru teve deputados federais memoráveis, como Octavio Pinheiro Brisolla, Maurício Toledo e Luiz Francisco de Carvalho. “A única saída é o voto distrital”, avalia. O petebista, porém, defende a realização de uma campanha de conscientização eleitoral na cidade.

A mesma opinião tem o ex-presidente da Câmara Municipal e atual presidente da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb), Renato Purini. “Mais do que conscientização, é preciso que a classe política de Bauru tenha bom senso. A cidade precisa de uma nova relação política”, prega.

Deputado federal por quatro legislaturas, o ex-prefeito Tidei de Lima (PV) analisa que Bauru perdeu a liderança regional, motivo pelo qual não conseguiu mais eleger representantes à Câmara dos Deputados. “A política em Bauru, dada às circunstâncias dos últimos tempos, se fragmentou. Não há mais a política ideológica, de debates e propostas. Falta um pouco do bairrismo sadio”, comenta.

Para ele, é necessário esclarecer à população que o voto em candidatos vinculados a Bauru, mas sem chances de eleição, vai ajudar a eleger políticos de outras localidades do Estado, descompromissados com a região. â€œÉ preciso esclarecer isso melhor.”

Sua opinião é reforçada pelo presidente da executiva municipal do PFL, Dudu Ranieri. “A proliferação de candidaturas é um verdadeiro desserviço à sociedade. Parece que não, mas os candidatos nanicos acabam atrapalhando aqueles que realmente têm chances de ser eleitos”, diz.

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