Na viagem até Salvador, na Bahia, em maio de 1979, a delegação bauruense que representava o conjunto de estudantes da cidade no histórico Congresso de Reconstrução da UNE, foi múltiplas vezes parada pela Polícia – assim como todas as demais -, com a desculpa de estarem procurando livros, revistas, jornais subversivos ou mesmo entorpecentes. Era a tática utilizada pela ditadura militar para atrasar a chegada dos estudantes ao Congresso. Em uma das paradas, enquanto revistavam as malas da delegação, um dos policiais, com máscara de motoqueiro e uma metralhadora, acabou por puxar conversa.
- Vocês estão perdendo aulas, correndo riscos, pra participar desta agitação dos comunistas?
- Pois é!
- Cês são de onde?
- Bauru!
- Tenho um irmão que faz tecnologia lá na Fundação. Ainda bem que não se mete com essas coisas de comunista!
- Verdade? Quem é?
- Chama Luís Antonio e é de Avaré!
- Cê é irmão do Luízão?
- Sim, conhece?
- Faz tempo que não vê seu mano?
- Cara... faz mais de três meses! Tenho trabalhado demais!
- Então, aproveita a oportunidade. Seu irmão tá no outro ônibus!
- O quê?
- Luízão é gente boa! Tá com a gente na luta pela liberdade e pela democracia!
- Não acredito!
- Pode acreditar.
- Pois vai levar uns tapas e voltar daqui mesmo.
E saiu lépido, em busca de um imaginário segundo ônibus de Bauru, enquanto nossa delegação se despedia de mais uma barreira, ao som de Geraldo Vandré:
Caminhando e cantando e seguindo a canção...(contada por Antonio Pedroso Júnior)