Regional

Plantação de tomate poderá ser modelo

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 3 min

A lavoura de Avaí sempre foi uma geradora de empregos. No início da história da cidade, o café alavancou a economia, lembra o historiador Vivaldo Pitta. “As pessoas adquiriam terras aqui para o cultivo do café.”

Com a criação dos município da Alta Paulista (Duartina, Garça, Gália e Marília), o cultivo do café foi perdendo forças, na mesma época ocorreu a queda da bolsa de Nova York, relembra Pitta. “As pessoas partiram em busca de novas terras e Avaí partiu para o cultivo de algodão.”

Durante a Segunda Guerra Mundial, os americanos proibiram a plantação e exportação do algodão. “Porque os chineses faziam a pólvora e para isso usavam o algodão. Depois, vieram o abacaxi, laranja e a agricultora se diversificou.”

Hoje, na opinião do morador, muitos agricultores arrendaram suas terras para as usinas e cultivam cana. â€œÉ mais tranqüilo para o proprietário da terra.”

Mas nem todos os agricultores optaram pela cana-de-açúcar. Os mais ousados resolveram partir para novas culturas e hoje Avaí desponta como um dos únicos a produzir tomate caqui especial. Um fruto que chega a pesar 1,2 quilo.

Visualmente, o tomate cultivado em Avaí impressiona. Um deles, de tamanho médio, basta para fazer uma salada para duas ou até três pessoas. A produção que atinge cerca de 6.000 caixas pode ser ampliada e atualmente é levada diretamente para o Ceagesp da Capital.

Inovando na lavoura

Na região de Avaí, as plantações de pimentões e pepinos representam experiências que deram certo, por isso o técnico agropecuário Ailson de Almeida Ribeiro e Antonio Luiz Serra da Silveira (Tula) resolveram ousar, testar algo novo.

Como o técnico já tinha experiência com plantação de tomates em outra região, eles fizeram uma parceria e cada um participa com 50%.

Em fevereiro deste ano, foram plantadas as primeiras mudas nas seis estufas construídas na estância Jacutinga. Seis meses depois, o número de estufas pulou para oito e até o final do ano a previsão é ter mais duas, tal foi a aceitação do tomate produzido em Avaí no mercado interno.

Entusiasmado com o cultivo do tomate, Tula diz que o peso de cada fruto chega a 1,2 quilo. “Na Capital o produto é bem aceito. O tomate caqui especial é usado por restaurantes de finos e multinacionais que trabalham com lanches.”

Ele explica que cada estufa produz em média 4.000 caixetas de três quilos cada uma. “O preço normal varia de R$ 8,00 a R$ 10,00 a caixeta. Este ano o preço caiu pela metade porque há uma produção grande de tomate no mercado. Não houve geada e o preço do fruto de estufa não atingiu o esperado.”

O fruto produzido em Avaí é tido como especial porque atinge a classificação A, explica o técnico Ailson Ribeiro. “Os frutos são classificados pelo tamanho de 3 a 8 são classe A e de 9 a 11, classe B.”

Para que os tomates cheguem no Ceagesp de São Paulo no ponto certo, são colhidos assim que o fundo dele começa apresentar manchas vermelhas. “O ciclo da planta é de 150 dias. Para dar frutos demora 35 dias. Depois da colheita é preciso arrancar o pé, tratar a terra para fazer nova plantação de mudas”, explica.

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