Bairros

Influência política

Sérgio Pais
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A professora da Unesp Dalva Aleixo constatou em pesquisa realizada em 1989 que muitas benzedeiras também desenvolviam uma espécie de influência política nas comunidades onde atuavam. “São pessoas ativas politicamente, ligadas às associações de moradores e consideradas ótimos cabos eleitorais”, enumera.

O que a pesquisadora comprovou com método científico, o líder comunitário Luiz Carlos Guerra vivencia no seu dia-a-dia junto à comunidade. Presidente da Associação de Moradores do Parque Jaraguá, Guerra conhece diversas benzedeiras de seu bairro e admite que elas realmente exercem influência política sobre os moradores. “Os políticos sempre as procuram em época de eleição”, revela.

Para o presidente da associação, boa parte do prestígio das benzedeiras vem de um fato também levantado na pesquisa de Aleixo. Segundo Guerra, muitas pessoas recorrem aos serviços de benzedeiras em função das lacunas deixadas pelo Estado em áreas como assistência social e medicina. “A dificuldade de encontrar médicos faz a população procurar as benzedeiras”, aponta.

Já a psicóloga Roxanne Rodriguero, chefe do Departamento Social da Secretaria das Administrações Regionais (Sear), acredita que as benzedeiras já tiveram mais influência no passado. “Hoje não é tanto, já foi mais (influente)”, avalia Rodriguero, que transita com desenvoltura junto aos movimentos sociais e associações de moradores.

Rodriguero cita até casos de benzedeiros, de várias linhas, que tiveram influência política junto a associações de moradores, mas que hoje praticamente sumiram da cena política comunitária.

Para ela, a tradição das benzedeiras dá sinais de perder força, principalmente nos centros urbanos maiores, restando alguma resistência na zona rural, onde a prática é exercida segundo uma tradição “mais católica”. “Elas (benzedeiras) estão acabando porque existe uma migração para outras linhas, como os evangélicos”, arrisca a psicóloga.

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