Mais um setembro, e com ele a comemoração do mês da Bíblia. Muitos afirmam que ela não fala muito de Deus, mas de sua ação. Eu, entretanto, considero a Bíblia presença de Deus no meio de nós, e resolvi escrever um pouquinho acerca dela. A Bíblia é composta de inúmeros livros e dividida em Antigo e Novo Testamento. O Antigo Testamento anuncia a vinda do Salvador e traz elementos marcantes acerca de sua pessoa e tudo aquilo que ele irá realizar. O Novo Testamento nos apresenta Jesus Cristo, aquele que veio e tornará a vir glorioso no fim dos tempos. Mas afinal, por que a Bíblia foi escrita? É ela mesma quem nos responde essa pergunta no Evangelho de João, capítulo 20, versículo 31: “para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que crendo tenhais a vida em seu nome”. A Bíblia é a forma que Deus encontrou para nos anunciar a vinda do Salvador, e orientar na série de condutas a serem seguidas por aqueles que desejam desfrutar do paraíso e da vida eterna. Isaías já dizia que “A erva seca e a flor fenece, mas a palavra de nosso Deus permanece eternamente” (Is 40, 8). Mais tarde, Pedro iria afirmar que “a palavra de Deus é semente incorruptível, viva e eterna” (1 Pd 1, 23).
Ora, talvez, alguns se perguntem onde está essa palavra de Deus? Pois se é exatamente da Bíblia que estamos falando, da palavra de Deus viva, de sua presença entre nós. No Evangelho de Lucas encontramos a seguinte afirmação: “Passarão o céu e a terra, mas as minhas palavras não passarão” (Lc 21, 33). O Evangelho, portanto, nos anuncia a palavra de Deus, e nos dá a conhecer seu filho, Jesus Cristo. Antigo e Novo Testamento dão testemunho de Jesus (Jo 5, 39). Lógico que a Bíblia foi escrita por homens; homens instruídos e inspirados pelo Espírito de Deus (2 Pd 1, 21). “Toda a Escritura é inspirada por Deus, e útil para ensinar, para repreender, para corrigir e para formar na justiça” (2 Tm 3, 16). Precisamos aprender a nos socorrer desse remédio diante de nossas dificuldades. Procurar um norte, uma direção, alicerçados na terra firme da Palavra de Deus.
A Bíblia é alimento para o nosso espírito (Mt 4, 4). É fortaleza diante dos nossos tropeços (Fl 4, 13). É esperança frente às dificuldades do dia-a-dia (Ef 1, 5-6). Devemos criar o hábito de manuseá-la, lê-la, meditar acerca de seus ensinamentos. Seu tamanho não pode servir para nos assustar. Devemos começar com pequenos trechos, talvez, apenas um versículo. Deus opera maravilhas com poucas palavras, os evangelhos estão cheios de exemplos disso. Precisamos nos abrir para a influência do Pai em nossas vidas, deixando de opor resistência aos seus apelos humanitários, contrários às nossas posturas egocêntricas.
Conhecer a Bíblia é deixar que ela nos transforme aos poucos, irrigando o solo duro de nosso coração com a Boa Nova de Jesus: “Tudo o que quereis que os homens vos façam, fazei-o vós a eles” (Mt 7, 12). Quando nos conscientizarmos da profundidade e da importância dessas palavras e as colocarmos em prática, toda a nossa vida se transformará e também a vida daqueles que convivem conosco. Ao longo do tempo, ler a Bíblia faz uma diferença enorme. Contudo, não desejo que apenas acredite em mim, espero que tenha dúvidas e resolva fazer a experiência por si mesmo. Depois, quem sabe possamos trocar algumas idéias acerca da Palavra de Deus.
A autora, Maria Regina Canhos Vicentin, é natural de Jaú. Formou-se em Psicologia pela USP de Ribeirão Preto e em Direito pela Instituição Toledo de Ensino de Bauru. Especializou-se em Educação pela Faculdade Claretianas de Batatais