Regional

Catador é acusado de matar namorado

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 3 min

Jaú - A Polícia Civil de Jaú (47 quilômetros de Bauru) registrou anteontem à noite, durante o plantão policial, um crime supostamente passional envolvendo um catador de papel e um calçadista.

Tomado pelo ciúme, o catador José Benedito, 46 anos, disparou duas vezes contra o calçadista Marcos Roberto de Godoi, 23 anos. Segundo o acusado, ambos mantinham um relacionamento há seis meses. Um dos disparos atingiu a cabeça da vítima e o outro acertou a axila esquerda. Com medo de que o crime fosse descoberto, Benedito deixou o corpo do namorado escondido atrás do sofá da casa, coberto por um cobertor. A briga entre os dois teria ocorrido por causa de um convite para um baile. Benedito não queria que Godoi fosse.

O catador disse ainda que a arma do crime, um revólver calibre 32, havia sido comprado por Godoi há pouco tempo, por R$ 200,00. O dinheiro teria sido fornecido por Benedito. Ele alegou que a intenção era revender a arma por um valor maior.

O calçadista foi visto pela última vez no último sábado. Ele teria saído da casa de um amigo dizendo que iria se encontrar com Benedito e depois eles se encontrariam novamente no baile.

Como Godoi não foi ao baile e não apareceu no domingo nem na segunda-feira, parentes e amigos passaram a procurá-lo. O catador de papel foi procurado e disse que havia se encontrado com o calçadista, mas depois ele teria ido embora e não o viu mais.

Desconfiados de que Benedito estava mentindo, os parentes e amigos do calçadista voltaram anteontem à noite para conversar com o catador. Um dos “irmãos de criação” de Benedito estava no quarto e saiu para ouvir a conversa em uma janela que fica perto do sofá.

Nisso, ele teria tropeçado no corpo coberto com o cobertor e chegou a se apoiar no cadáver. Ao ver o calçadista, o irmão despistou e saiu de casa para relatar o que havia encontrado para a polícia.

Ele foi ouvido pelo delegado de plantão, Roberval Fabri, que se deslocou até a casa, viu o corpo e prendeu o catador de papel. De início, Benedito negou a prática do crime, mas diante das evidências apontadas ele teria confessado mais tarde, segundo informou o delegado. O catador indicou, inclusive, onde estava escondida a arma usada no crime.

Segundo explicou Fabri, como o homicídio ocorreu na madrugada de domingo teoricamente não caberia prisão em flagrante, mas como houve ocultação de cadáver o crime fica em aberto, sendo possível o flagrante.

De acordo com o delegado, o mau cheiro provocado pela decomposição do corpo não chegou a ser sentido pelos moradores porque a casa como um todo exalava cheiro ruim por causa da sujeira acumulada.

Benedito foi autuado por homicídio qualificado e ocultação de cadáver. Em caso de condenação, a pena pode chegar a 20 anos de prisão. Ele mora em uma casa no Centro da cidade com outros dois “irmão de criação”. Uma freira teria cuidado deles quando eram crianças. Ao morrer, a freira deixou para eles a casa onde moram atualmente.

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