Cultura

Você já cantou, não?

Thaís da Silveira
| Tempo de leitura: 3 min

O show de hoje à noite no Serviço Social do Comércio (Sesc) é para relembrar de forma bem-humorada, “irreverente e reverente”, grandes clássicos da música pop que dificilmente alguém nunca tenha cantado no chuveiro. O palco é de Maurício Pereira e Turbilhão de Ritmos, que apresentam, entre outras canções, o repertório do CD “Canções que um Dia Você já Assobiou - vol. 1”.

No set lis, list de Rosana, Adoniran Barbosa e Guilherme Arantes, entre outros. O público poderá cantarolar, por exemplo, “Iracema”, “Meu Mundo e Nada Mais”, “O Homem de Nazaré” e “O Amor e o Poder”. Tem também “Férias na Índia” e “Galopeira” e, ainda, “Cristina”, de Tim Maia e Carlos Imperial. Canções que qualquer quarentão ouvia no rádio e que certamente fazem parte do inconsciente coletivo das gerações posteriores.

“Um pouco é de irreverência porque são músicas que todo mundo conhece e que você pode brincar bastante. Há uma intimidade para isso. Por outro lado, é um disco de reverência porque são as coisas que me formaram, que eu ouvia no rádio na minha infância. E porque eu acho que a canção pop é algo de sagrado. A canção pop tem uma coisa poética, muito densa, e ao mesmo tempo vira-lata. É solene e é corriqueira”, revela Pereira.

O humor e a brincadeira presente nas músicas e interpretações do grupo, entretanto, não vêm para desvalorizar as versões. Muito pelo contrário. “Não tem tiração. Eu colocaria as músicas no altar, mas tenho intimidade com elas para zoar com elas. São músicas que você ouve no boteco, no bar, na pizzaria. São músicas que você ouve sem sapatos”, diz.

O público poderá desfrutar também de canções que não estão no CD, como “Namoradinha de um Amigo Meu”, de Roberto Carlos e Erasmo, uma versão de “Satisfaction”, dos Rollings Stones, e outra de “Suspicious Mind”, de Elvis Presley.

“Certamente a maior parte do disco está no show. A única coisa que eu não toco nesse show é música minha. A gente relê. Nem tudo é do jeito original. A gente tem uma influência de rock’n roll porque cabeça de paulistano é cabeça de rock’n roll”, brinca Pereira, que pela primeira vez faz um trabalho apenas como intérprete.

O Turbilhão de Ritmos que o acompanha no show de hoje é formado por Carneiro Sândalo (bateria), Reinaldo Chulapa (baixo), Tonho Penhasco (guitarra) e Amílcar Rodrigues (trompete).

O grupo tem planos de gravar novos volumes de “Canções que um Dia Você já Assobiou”, à medida que os recursos permitirem, já que o trabalho é independente. “Eu gostaria de gravar mais discos. Se eu tiver a chance eu gravo”, afirma.

Paralelo

Por enquanto, Pereira trabalha na produção de seu novo disco solo, autoral, que deve ser lançado no começo de 2006.

Ele é saxofonista, cantor, compositor e produtor de discos. Chegou a exercer a profissão de jornalista antes de formar com André Abujamra, na década de 80, Os Mulheres Negras. O grupo durou sete anos e gravou dois discos.

A partir daí, Pereira passou a compor trilhas, até lançar em 1995 seu primeiro disco solo, “Na Tradição”. Em 2000, lançou outro CD, “Mergulhar na Surpresa”.

Em sua trajetória, já dividiu palco com Pato Fu, Jorge Ben, Karnak, Skowa e Jerry Adriani, entre outros.

• Serviço

Maurício Pereira e Turbilhão de Ritmos hoje, no Sesc, às 21h30. Os ingressos custam R$ 8,00 e R$ 4,00 (matriculados, estudantes e maiores de 60 anos). O endereço é avenida Aureliano Cardia, 6-71. Outras informações pelo (14) 3235-1750.

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