As empresas que operam o sistema de transporte coletivo de Bauru protocolaram pedido para que o prefeito Tuga Angerami (PDT) reajuste o valor da tarifa de ônibus na cidade. Elas alegam que o preço do diesel subiu 34% desde junho do ano passado, data do último aumento. Atualmente, o passe comum custa R$ 1,50 e o integração sai a R$ 1,90.
O requerimento da Associação das Empresas do Transporte Coletivo Urbano de Bauru (Transurb) não sinaliza o índice de reajuste. O cálculo da defasagem, feito com base nas planilhas de custos das concessionárias, ficará a cargo da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb).
O diretor de Transportes da Emdurb, Waldomiro Fantini Júnior, explica que está fazendo a cotação de preços dos insumos para que possa apontar o valor real da tarifa. Na seqüência, ele encaminhará o estudo para o prefeito.
Fantini Júnior antecipa que o preço praticado atualmente está defasado. “Ninguém quer aumento de tarifa, mas precisamos avaliar que o último reajuste foi, na verdade, um arredondamento, já que a passagem subiu de R$ 1,45 para R$ 1,50”, argumenta.
O aumento anterior havia sido autorizado em dezembro de 2003, quando a passagem saltou de R$ 1,20 para R$ 1,45. “Outro aspecto é que a nossa tarifa é uma das baixas se compararmos com as cidades do mesmo porte”, acrescenta o diretor da Emdurb.
Ele ressalta, porém, que a decisão final será do prefeito, que não precisará aplicar a nova planilha na íntegra. Ele também tem a prerrogativa de negar o pedido de revisão da tarifa.
O presidente do Conselho Municipal dos Usuários do Transporte Coletivo, Rubens de Souza, afirma que o órgão tem reunião agendada para a próxima terça-feira. Ele adianta, porém, que a solicitação de reajuste entrará na pauta do encontro apenas se o processo for encaminhado pela prefeitura até o início da semana. O conselho tem caráter consultivo e não pode vetar o aumento.
A possibilidade de reajuste no valor da tarifa preocupa os usuários. “Já é caro para vir do bairro até o Centro e um novo aumento vai pesar no orçamento”, opina a dona de casa Neusa Maria Cipriano.
O estudante Diego de Andrade concorda. “O valor de R$ 1,50 já é razoável. O ônibus que eu utilizo está sempre lotado pela manhã e pelas condições oferecidas a passagem não deveria subir”, comenta.
Custos
Nos últimos dois anos, as empresas têm procurado cortar gastos para manter o equilíbrio financeiro do sistema. Há três meses, por exemplo, os coletivos estão circulando sem cobradores após as 20h. A medida, que visou reduzir o pagamento de horas-extras, também proporcionou o reajuste salarial de 6,1% para os motoristas e cobradores.
As concessionárias foram beneficiadas, ainda, pela mudança no sistema de transporte dos servidores da prefeitura. Anteriormente, eles utilizavam ônibus fretados, mas, a partir de maio deste ano, passaram a receber vale-transporte. Cerca de 2.140 funcionários contam com o benefício, que gera custo mensal de R$ 160 mil para a prefeitura.
Em 2003, a remodelagem das linhas permitiu a retirada de 26 ônibus de circulação e a redução de 200 mil quilômetros rodados por mês. No ano passado, seis veículos convencionais foram substituídos por microônibus, que gastam menos combustível.
A assessoria de imprensa da Transurb alega, porém, que o reajuste de 12% no valor do diesel, anunciado na semana passada pela Petrobras, tornou a tarifa atual deficitária e motivou o pedido de atualização protocolado pelas empresas.
Até o final de 2004, as concessionárias eram remuneradas com base na Câmara de Compensação Tarifária (CCT), criada em 1995 para calcular a distribuição dos valores arrecadados entre as empresas. Com a extinção do sistema, em dezembro, as operadoras passaram a receber por passageiro transportado.