A história de Arealva está estritamente ligada a de Reginópolis e Iacanga. Para entendê-la é preciso saber que tanto Arealva quanto Reginópolis eram distritos de Iacanga e que antes de receber o atual nome era Soturna.
Um plebliscito confirmou a vontade da população em emancipar politicamente o distrito, relembra o comerciante Nelson Leutwiler. “A emancipação política de Soturna e Reginópolis ocorreu ao mesmo tempo. Soturna passou a se chamar Arealva porque aqui tinha uma ilha com areia alva.”
A emancipação política dos dois distritos não agradou Iacanga, que perdeu ambas ao mesmo tempo. “Mas o que mais revoltou Iacanga é que ela queria pertencer a Bauru. A divisa com Bauru era Jacuba. Porém, Jacuba foi incorporada à Arealva e eles perderam a divisão. Não tinham mais o direito”, frisa o comerciante.
Na época, segundo ele, todos pertenciam à comarca de Pederneiras. “Nessa altura continuamos a pertencer a Pederneiras. Iacanga não tinha divisão territorial com Pederneiras e não podia mais pertencer a ela e não tinha divisão territorial com Bauru. Iacanga ficou numa situação difícil e teve de lutar até passar para a comarca de Ibitinga.”
O pai de Nelson, Oliveiro Leutwiler, era o prefeito de Iacanga nessa época. “ A situação de meu pai na Prefeitura de Iacanga ficou delicada. Ele sofreu muita pressão porque o povo de lá se magoou com a perda do distrito. Meu pai morava aqui e era prefeito lá. Em 1949 a Câmara, que era formada de maioria absoluta de vereadores de Arealva, foi pressionada também.”
O pessoal de Iacanga expulsou os vereadores e quiseram expulsar o meu pai. “Os vereadores abandonaram e meu pai, que teve de ir morar num hotel em Iacanga até a instalação oficial de Arealva, que foi 1 de abril de 1949. No ano seguinte, ele renunciou.”
Depois de eleito o primeiro prefeito de Arealva, Job Garcia de Almeida, Oliveiro Leutwiler voltou para a cidade. “Em 1952 houve outra eleição, meu pai foi o candidato daqui de Arealva e foi eleito.”
Dentre as inúmeras benfeitorias feitas pelo prefeito Leutwiler, os mutirões que construíram estradas foram as mais famosas. “As prefeituras não tinham recursos, eles faziam muitas coisas na base do mutirão. Com seu jeito caipira, meu pai conquistou a comunidade e fez estradas e pontes, beneficiando toda a comunidade.”
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Missão
O distrito de Soturna, hoje Arealva, não tinha padre e as missas aos domingos contavam com a presença do pároco de Iacanga, que nem sempre comparecia. A população se irritava e pedia uma providência.
O então prefeito, Oliveiro Leutwiler, decidiu então procurar o bispo, que providenciou um padre, chamado Felipe. Porém, como ele era aposentado, ficou provisoriamente rezando as missas aos domingos.
O padre definitivo viria da Itália, prometia o bispo ao então prefeito. “Como a demora era grande, eu convidei o delegado de polícia, Nelson Teixeira e o João Furquim para irmos a Lins falar com o novo bispo,” relembra Leutwiler.
Sem uma resposta positiva, o então prefeito pediu autorização ao bispo para arrumar um padre. “Mas onde? Seguimos viagem para Ribeirão Preto para falarmos com o padre Luis, diretor responsável pela formação dos padres. Ele informou que formava padres, mas não era ele que fazia a distribuição.”
A distribuição de padres era responsabilidade do padre de Rio Claro, chamado Casagrande. “O padre Casagrande nos recebeu e, embora não tenha prometido, em um mês encaminhou um religioso. O padre Carlos era provisório, deveria ficar por três meses, mas acabou ficando por quatro anos.”