São Paulo - Os funcionários dos Correios, em greve desde a semana passada, decidem em assembléia hoje se aprovam ou não a proposta de acordo feita pelo Tribunal Superior de Trabalho (TST). A proposta do TST prevê o pagamento de abono linear de R$ 800,00 aos 108 mil funcionários da empresa, 8,5% de reajuste salarial a partir de 1 de agosto e outros 3,61% em fevereiro do próximo ano.
No entanto, o comando de greve dos funcionários dos Correios orientou a categoria a rejeitar a proposta informal de acordo do TST, segundo informou o secretário-geral do Sindicato dos Trabalhadores nos Correios do Paraná (Sintcom-PR) e diretor da Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios e Telégrafos (Fentect), Nilson Rodrigues dos Santos. “Não queremos abono. Queremos aumento real de salários e recuperação de nosso poder aquisitivoâ€, disse Santos.
O sindicalista afirmou ainda que a proposta do TST representou poucos avanços em relação à oferta original dos Correios, que ofereceu abono de R$ 600,00 e reajuste de 8%. “Essa política de pagamento de abonos, em vigor desde o governo FHC, gerou perdas salariais enormes para a categoria.†O presidente do TST, ministro Vantuil Abdala, vai esperar por uma resposta sobre a proposta até as 12h de hoje. Depois disso, o TST deve julgar o pedido de dissídio feito pelos Correios na quinta-feira. Cada dia de greve representa um prejuízo de R$ 20 milhões, de acordo com informações da comissão de negociação da Empresa de Correios e Telégrafos (ECT).
Em greve desde a meia-noite de quarta-feira, os trabalhadores dos Correios reivindicam 20% de aumento, além da correção dos vencimentos de acordo com o índice de inflação do IPCA (6,57%). Os grevistas também querem o aumento do piso salarial da categoria de R$ 448,00 para R$ 931,00. Os Correios chegaram a oferecer aumento de 11,66% - 8% até dezembro e o restante em janeiro - mas os trabalhadores não aceitaram e a proposta foi retirada. De acordo com a ECT, as 12,3 mil agências do país estão funcionando praticamente dentro da normalidade. Os serviços de transporte e distribuição das remessas foram os mais prejudicados pelo movimento grevista.