Botucatu - A Faculdade de Medicina (FM) da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Botucatu foi uma das 14 instituições brasileiras escolhidas para realizar testes de qualidade em novos remédios antes deles serem disponibilizados no mercado em cobaias e humanos, além de análises laboratoriais. Conhecido como Unidade de Pesquisa Clínica, o local abrigará parte das pesquisas do setor realizada no País. Com a medida, o Ministério da Saúde espera garantir a qualidade dos medicamento aos usuários.
De acordo com o professor da Unesp, que participou da elaboração do projeto da faculdade, Adriano Dias, as pesquisas devem começar dentro de, aproximadamente, sete meses. Ele explica que os medicamentos desenvolvidos pelo Ministério da Saúde e por laboratórios particulares, inclusive genéricos, serão analisados pelos pesquisadores.
Quando um remédio novo for desenvolvido, antes de chegar ao consumidor, ele deve passar pelas unidades de pesquisa. “Se uma nova droga para hipertensão arterial foi feita, antes que chegue ao consumidor, faremos pesquisas para saber se tem a mesma resposta de remédios que já existem no mercado”, esclarece.
Somente após passar por todas elas, o medicamento é liberado. Os estudos desenvolvidos na unidade devem ser avaliados pelo Comitê de Ética local e pela Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep). Ainda segundo o professor, estima-se que todos os anos dez mil remédios sejam testados no mundo. Do total, menos de dez entram no mercado por causa de falhas em alguma fase da pesquisa.
Antes da implantação das unidades, os laboratórios farmacêuticos tinham que solicitar a pesquisa a instituições particulares. “O ministério da Saúde quer organizar esta estrutura e ligá-las à estrutura universitária porque ela não teria interesses comerciais neste processo”, ressalta o Adriano Dias.
A partir das pesquisas desenvolvidas, o professor afirma que a possibilidade do medicamento representar riscos à saúde humana seria menor. “O principal foco é o usuário final. Podemos prevenir danos”, afirma o professor.
Escolha
A instituição foi escolhida entre outros 50 projetos pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), órgão ligado ao Ministério de Ciências e Tecnologia, no último mês. A unidade de Botucatu será construída no câmpus da universidade e as obras do prédio, de aproximadamente 500 metros quadrados, devem começar no próximo mês. A Finep destinará cerca de R$ 1,5 milhão para a construção das instalações.
Já a administração da unidade será feita em associação entre a Fundação para o Desenvolvimento Médico e Hospitalar da faculdade (Famesp) e a FM. Segundo Dias, o número de profissionais envolvidos, a demanda e as formas de arrecadação financeira ainda serão definidas pela unidade. “A idéia e que ela seja auto-sustentável”, adianta.
Além de Botucatu, as unidades da Universidade de São Paulo (USP) de Ribeirão Preto e de São Paulo foram contempladas no Estado de São Paulo.