São Paulo - Uma tentativa de resgate de presos, com uma bomba de alta capacidade de destruição, provavelmente com força de propulsão - com um foguete -, provocou ontem danos em prédios residenciais e carros em Santo André (Grande São Paulo).
Duas pessoas, suspeitas de envolvimento na ação de resgate, ficaram feridas. A muralha do presídio, alvo da bomba, ficou intacta e nenhum preso escapou. Segundo a polícia, a quadrilha queria resgatar dois traficantes presos no Centro de Detenção Provisória (CDP) de Santo André. Apesar dos danos da explosão, nenhum morador dos prédios do Conjunto de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU) que fica a 150 metros do centro de detenção sofreu ferimentos.
Esse foi o segundo incidente envolvendo armamento pesado com o objetivo de resgatar presos na última semana. Na sexta, a polícia apreendeu um míssil, um lança-míssil, uma submetralhadora e um fuzil em Águas de Santa Bárbara (295 km de São Paulo). Na ocasião, quatro pessoas foram presas. As armas seriam usadas no resgate de presos da região. "É algo que chama a atenção'', disse o coronel Joviano Conceição Lima, comandante do Policiamento de Choque da Polícia Militar de São Paulo.
Destruição
A explosão, ocorrida por volta das 7h30 de hoje, danificou sete carros estacionados, estilhaçou vidros, arrancou janelas e provocou rachaduras e buracos nas paredes. Nos dois prédios mais próximos, 40 apartamentos foram atingidos, segundo a Defesa Civil. A polícia tentava ontem descobrir a constituição e a potência do artefato usado na ação. "Foram recolhidos apenas ferros retorcidos. Só com uma perícia mais detalhada vamos saber se o artefato é militar ou caseiro, se tinha força de propulsão'', disse o coronel.
Seis pessoas tinham sido detidas até a noite de ontem, segundo a Secretaria da Segurança Pública. Renê Freitas Ribeiro Lima Jr., 28, que se feriu na explosão, teve o pulmão perfurado e a mão amputada. Ivan de Oliveira, 19, ferido por estilhaços, tentou fugir, mas foi preso pela PM. Segundo o delegado Roberto Tadeu Lopes, um dos alvos do resgate seria o irmão de Ivan, Jair Ferreira de Oliveira. A Secretaria da Administração Penitenciária confirmou que Jair estava no CDP de Santo André hoje. A irmã de Ivan, Maria Aparecida de Oliveira, 23, afirmou que ele não participou da ação. Segundo ela, o irmão passava pelo local, em direção à casa da mãe, quando foi atingido pelos estilhaços da bomba. Ivan fugiu porque teria ficado com medo da explosão, segundo ela.