Geral

HE faz captação múltipla de órgãos

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 3 min

O Hospital Estadual (HE) de Bauru realizou, na madrugada de ontem, a primeira captação múltipla de órgãos. Foram captados dois rins e duas córneas de um menino de 7 anos que teve morte cerebral. A captação insere efetivamente a instituição na rede nacional de estabelecimentos de saúde aptos para realizar esse procedimento, tornando-o mais um centro de referência para doação de órgãos na região.

A médica Amélia Trindade, coordenadora da Organização de Procura de Órgãos (OPO) de Botucatu, responsável por toda a região, explica que para ser habilitado para realizar captações múltiplas e transplantes, um hospital precisa obedecer a um conjunto de critérios e parâmetros estabelecidos pelo Ministério da Saúde.

“Você precisa ter equipe treinada para abordar a família, equipes cirúrgicas capacitadas nas diferentes captações, centro cirúrgico disponível 24 horas com equipe de enfermagem e anestesia, vaga em UTI (Unidade de Terapia Intensiva) para manter o coração do doador batendo (...) As captações realizadas hoje (ontem) testaram e confirmaram que o Hospital Estadual tem essa logística”, comenta.

Segundo ela, na região, até agora, apenas o Hospital de Base de Bauru e o Hospital das Clínicas da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Botucatu faziam essa captação múltipla.

Trindade salienta que o protocolo para doação e transplante de órgãos e tecidos no Brasil é um dos mais rígidos do mundo. É preciso seguir várias etapas, todas elas minuciosas. Em média, são necessárias cerca de 24 horas entre a autorização da família e a captação propriamente.

“E infelizmente não temos como reduzir esse tempo, porque tudo é feito no intuito de garantir o máximo de transparência e segurança possível tanto para a família que autoriza a doação, quanto para os pacientes que vão receber esses órgãos”, comenta.

Doação

O procedimento de captação múltipla realizado ontem começou por volta das 19h de anteontem, quando o Hospital de Reabilitação das Anomalias Craniofaciais de Bauru (Centrinho/USP) identificou a morte cerebral no paciente M., 7 anos. Segundo o hospital, o menino apresentava uma síndrome grave e não resistiu.

Com autorização da família para a doação de órgãos e tecidos, a Central de Transplantes foi acionada e as providências previstas em lei foram tomadas. A captação começou por volta da 1h30 de ontem, terminando cerca de cinco horas depois.

“A família havia autorizado a doação de todos os órgãos. Mas o menino sofreu uma parada cardíaca durante a cirurgia, inviabilizando a captação do coração e de outros órgãos. A família é do Maranhão e pelo horário de vôo que eles tinham, optamos por fazer o que era possível de modo que pudessem ir embora ainda hoje (ontem), abreviando o sofrimento deles”, salienta a médica.

De acordo com assessoria de imprensa do Centrinho, foi uma tia quem orientou os pais do menino a autorizar a doação. “Como sou doadora, assim como meus dois filhos, procurei mostrar como essa decisão, apesar de difícil, é importante num País onde há imensas dificuldade para que isso ocorra (...) Doação é conforto e salvação. Faço um apelo: as pessoas devem doar. A partir da certeza da morte, outras vidas serão salvas”, disse a tia no hospital.

Assessoria de imprensa do HE informa que as duas córneas foram encaminhadas ao banco de olhos de Botucatu. O rim esquerdo foi levado ao Hospital das Clínicas de Botucatu e o rim direito seria enviado a um hospital de São José do Rio Preto.

Comentários

Comentários