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Idoso discutirá inversão da pirâmide

Gilmar Dias
| Tempo de leitura: 3 min

O envelhecimento da população será um dos temas que serão discutidos na 3.ª Conferência Municipal da Pessoa Idosa, que será realizada na próxima quinta e sexta-feiras no auditório do Serviço Social da Indústria (Sesi). Ontem, foi aberta a 7.ª Semana Municipal da Terceira Idade. O evento, realizado no Serviço Social do Comércio (Sesc), contou com a apresentação de grupos musicais e de dança.

Na abertura do evento, a secretária municipal do Bem-Estar Social, Egli Muniz, destacou a preocupação dos governantes com o envelhecimento da população, tendência que não é exclusiva do Brasil, mas do mundo de uma maneira geral. Ela lembrou que num passado não muito distante a base da pirâmide demográfica era larga, ou seja, formada por milhões de jovens.

“Mas agora o cume (da pirâmide) está se alargando, ou seja, o número de pessoas idosas está aumentando cada vez mais”, observa. Na opinião da secretária, não é somente os governos, em todas as esferas, que devem se preparar para atender a crescente demanda de idosos que está por vir.

“A sociedade como um todo também precisa se preparar. O objetivo dessa semana que começamos hoje (ontem) é despertar as pessoas para a chegada da terceira idade. Elas vão precisar ter qualidade de vida. E essa qualidade de vida não poderá ficar restrita a apenas um pequeno grupo. Ela deverá ser estendida a todos”, diz.

Para Muniz, não há melhor fórum de discussões para debater o problema do que a Conferência Municipal da Pessoa Idosa. â€œÉ nessa conferência que vamos definir, em conjunto, as políticas municipais para a população idosa em relação à saúde, cultura, lazer, esportes e até mesmo trabalho”, comenta.

Com a queda nas taxas de fecundidade e mortalidade, a estrutura etária da população do País vem mudando ao longo dos anos. Em 1993, a taxa de fecundidade era de 2,6%. Dez anos depois, chegou a 2,1%. Essa progressiva diminuição teve início em meados dos anos 60 e se intensificou nas duas décadas seguintes, refletindo-se na estrutura etária.

Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 1981, o grupo etário que tinha mais pessoas era o de 0 a 4 anos de idade; em 1986, era o de 5 a 9 anos; em 1992, era o de 10 a 14 anos; em 1998, os maiores percentuais estavam concentrados nas faixas de 10 a 14 e de 15 a 19 anos; em 2001, o maior era somente o de 15 a 19 anos, mas a sua proporção já começava a diminuir.

Em 2003, o grupo etário de 15 a 19 anos ainda era o maior, mas o seu percentual na população continuou em queda, aproximando-se daquele do grupo de 20 a 24 anos.

No outro extremo, a população de 60 anos ou mais de idade continuou crescendo gradativamente: representava 6,4% da população em 1981; subiu para 8,0% em 1993 e chegou a 9,6% em 2003. Em números absolutos, isso significa que, dos quase 174 milhões de pessoas, 16,7 milhões tinham, no mínimo, 60 anos de idade.

Entre as regiões, as maiores participações de idosos de 60 anos ou mais estão no Sudeste (10,5%) e no Sul (10,4%), seguidos do Nordeste (9,2%), Centro-Oeste (7,4%) e do Norte urbano (6,0%).

Dentro da população idosa, 55,9% eram mulheres. Em 1993, esse mesmo percentual estava em 54,5%. Em 2003, na região Sudeste, por exemplo, 57,3% do contingente de idosos era formado por mulheres. Por sua vez, o menor percentual de mulheres entre os idosos estava no Centro-Oeste (51,6%).

O presidente do Conselho Municipal da Pessoa Idosa (Comupi), Ubaldo Benjamin, endossa a opinião da titular da Sebes. “Na conferência, vamos delinear os planos para os próximos anos sempre visando melhorar a qualidade de vida das pessoas idosas. O Estatuto do Idoso ainda é relativamente novo, tem pouco mais de dois anos. Ainda há muita coisa a ser feita”, analisa.

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