A engenheira civil Maria Luíza Müller Ferreira, 49 anos, sentiu na pele o que a convivência muito próximo proporcionada pela vida em condomínios pode ocasionar. Vitimada pela intolerância de vizinhos que não aceitavam sua paixão pelos bichanos, Ferreira só teve paz quando decidiu mudar-se para uma residência “comumâ€.
Dona de diversos gatos que recolhia nas ruas, a engenheira acredita que foi perseguida pelos responsáveis do condomínio onde morava, que teriam se utilizado de diversos métodos, desde os considerados “legaisâ€, como advertências e multas, até os criminosos, com o envenenamento de vários de seus gatos.
Multada em R$ 500,00 por manter os animais no local, Ferreira recorreu à Justiça, que lhe deu ganho de causa garantindo-lhe o direito do conviver com seus animais. O caso aconteceu há cerca de quatro anos, ocasião em que o condomínio acabou derrotado num total de 43 ações semelhantes. Para piorar o clima e a convivência no local, o juiz ainda determinou que o condomínio pagasse R$ 1.000,00 de honorários advocatícios.
“A experiência de viver em condomínio foi muito ruim, principalmente por conta de as pessoas maltratarem meus animais. Elas se esquecem que as pessoas se incomodam mutuamente, seja com um gato, seja com um barulho, seja com um comportamento. É uma questão de sermos tolerantesâ€, discursa.
Na residência, Ferreira conta que também teve conflito com vizinhos. Segundo ela, uma escola infantil com a qual divide o muro reclamou dos gatos e acionou o setor do zoonoses da prefeitura para controlar os animais. “Eles (prefeitura) me pediram para colocar uma tela e eu coloquei. É uma questão de saber ceder. Só que os donos da escola se esqueceram que as crianças também incomodam com seu barulhoâ€, diz.
Para a engenheira, muitas das decisões dos condomínios ferem o direito individual do cidadão. “Quer dizer que se eu não gosto de um animal, eu devo matá-lo cruelmente? Foi muita intolerância. Condomínio, nunca maisâ€, finaliza.