Regional

Crise de ceramistas começou em 90

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 2 min

No final da década de 90, a Estância de Barra Bonita e a cidade de Igaraçu do Tietê contabilizavam cerca de 40 cerâmicas. Eram pequenas, médias e grandes empresas que fabricavam 50 milhões de peças feitas com cerâmica vermelha, o que inclui laje, tijolo, telhas e blocos estruturais.

Atualmente, nas duas cidades funcionam 12 cerâmicas, trabalhando com 30% de seu potencial. “Fabricamos cerca de 4 milhões de peças. Dos 3.500 funcionários em 96, passamos a ter 600. Estamos desativando, cortando gastos. Não sei até quando sobreviveremos", diz o presidente da Associação dos Ceramistas de Barra Bonita e Igaraçu do Tietê, Alfredo Calêncio Neto.

Ele lembra que quatro cerâmicas de Barra Bonita concentravam 106 funcionários e produziam 1,6 milhão de peças. Hoje, são produzidas 350 mil peças e ainda assim não há mercado para isso. Estamos estocando no pátio.”

Em conseqüência dessa situação, criou-se uma relação de trabalho totalmente fora dos padrões tradicionais. “Os funcionários que saíram estão na cultura da laranja. Aqueles que não saíram e eu não consegui dispensar estão trabalhando até com vergonha do patrão e vice-versa, algo fora dos padrões de emprego. Eu não tenho condição de mandá-los embora e eles não têm condições de sair.”

Empurrão

Os ceramistas têm esperança de superar a crise com um empurrão do governo estadual por meio de uma política habitacional. "Hoje há um déficit habitacional no País de 14 milhões de casas. A construção de casas populares e financiamentos para a classe média poderiam impulsionar o setor. Com o atual poder aquisitivo, o trabalhador não consegue comprar nada”, reclama Calêncio Neto.

Segundo ele, um dos principais problemas envolve os custos de produção. “Nós já atravessamos várias crises e acreditamos que esta é uma das mais violentas. O custo de produção é muito alto, devido ao óleo diesel e à energia elétrica. O preço é um verdadeiro assalto. Estamos diminuindo a produção porque não conseguimos pagar a energia.”

A queda no consumo de energia, segundo ele, tem suscitado inúmeras visitas das empresas fornecedoras de energia. “O pessoal das companhias vivem fazendo vistorias porque acham que o empresário está fazendo gato, ou seja, furtando energia. Eles não estão percebendo que o nível de produção caiu 30%.”

Comentários

Comentários