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Hábito de fumar


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Em 1985, a fome na África fez o mundo suspirar cheio de pesar, provocou grande alarido, movimentou campanhas solidárias, mas foi o fumar que matou mais de 2 milhões de pessoas sob o mais absoluto silêncio. Hoje, a cada dez segundos, alguém morre em conseqüência do cigarro em todo o mundo. Cerca de 90% daqueles que fumam desde a adolescência, em geral, vivem menos do que os que nunca deram um trago. Além das doenças velhas conhecidas, como o ataque cardíaco e o câncer de pulmão, os fumantes estão expostos a males que os afetam da cabeça aos pés. A grande questão é: por que tantos, apesar de constantes alertas continuam fumando em todo o mundo, iniciando um caminho muitas vezes sem volta? Vício é a palavra-chave.

Uma vez que a nicotina crie raízes no corpo, ela passa a exigir doses regulares, que quando aliadas a hábitos diários tornam-se poderosas. Certas situações, associadas ao hábito de fumar, suscitam o desejo de um cigarro. Pode ser pela manhã ao acordar, após as refeições ou pelas pressões da vida moderna. O tabagismo é considerado o maior problema de saúde pública do mundo moderno e eleito pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como prioridade para o século 21, pois, se no século passado o fumo matou 100 milhões de pessoas, estima-se que neste atingirá 1 bilhão de pessoas.

Aqueles que começam a fumar hoje apresentam características diferentes daqueles que o faziam há cem anos. Estão expostos a inúmeras informações sobre os malefícios, no entanto observa-se que grande número de pessoas continua aderindo à escravidão do tabaco, como se estivessem surdos às informações. (...) Os anúncios, onde não foram proibidos, estão repletos de promessas para quem usa determinada marca: cowboy machão e despreocupado, carros esportes, asas-deltas, surfistas, atletas, mulheres bonitas, jovens e independentes e, todos, sempre se divertindo em lugares paradisíacos. É preciso, além de informação, afetividade em casa, auto-estima, capacidade de sonhar, conhecer-se melhor, querer-se bem a si mesmo e ao próximo para não cair no engodo. (...)

Parar de fumar não é fácil, quem já fumou sabe disso. No entanto, todos os dias, alguém consegue deixar este vício. Logicamente não existe milagre, mas sim esforço, dedicação e automotivação. Parar drasticamente parece ser a forma mais indicada. Jogue fora tudo que traga lembranças, como isqueiros, cinzeiros e, principalmente, mude os hábitos que despertam o desejo de fumar. Os primeiros meses são os mais difíceis. Procure evitar ficar na companhia de fumantes. Se tiver algum tipo de recaída não encare como uma derrota, mas sim como um processo de aprendizado, tente novamente. Lembre-se da sucessão de erros e vitórias que enfrentou em sua vida quando estava aprendendo a andar, nadar, andar de bicicleta ou qualquer outra coisa. Prepare-se mentalmente para parar. Esteja convencido da necessidade e dos benefícios de se parar de fumar. Faça uma lista se necessário. Se a vontade for incontrolável, tome um banho, saia de casa. Faça qualquer coisa menos ter uma recaída. Parar de fumar não está entre as coisas mais prazerosas da vida, mas vale a pena. Faça isso pela sua vida, pela vida dos seus filhos e, se isso ainda não lhe convencer, faça isso pela vida dos que o cercam. (A autora, Rosemeire Alves Lourenço, é educadora)

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