Há dois anos (oito trimestres consecutivos), o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro cresce. A inflação está em queda e o número de empregos em alta, assim como a renda do trabalhador e o desempenho do setor exportador. A síntese da conjuntura que estamos vivendo, analisada e elogiada na última segunda-feira, durante seminário organizado pela Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos, em Washington (EUA), explica porque agora o Brasil é citado na comunidade internacional em condições de ser aceito no G7 (grupo dos sete países mais industrializados do mundo).
Alcançar esse nível de reconhecimento foi mais uma entre as muitas respostas que o governo Lula já deu àqueles que, às vésperas de sua eleição, em 2002, temiam pelo futuro do País.Os dados divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento são eloqüentes. Entre 19 e 25 de setembro, o saldo positivo da balança comercial brasileira ficou em US$ 858 milhões. Essa é a diferença entre exportações de US$ 2,561 bilhões e importações de US$ 1,703 bilhão. No total vendido por dia útil, a média diária das exportações supera em 22,6% o que se verificava no mesmo período do ano passado. Produtos básicos registraram o maior crescimento (31,9%), resultado das vendas de petróleo e carnes. Manufaturados venderam 20,6% mais; semi-manufaturados, 5,1%.
Tudo isso fica mais simples de se compreender à luz de resultados práticos como a geração de empregos. O governo Lula está alcançando a marca de 3,4 milhões de novos postos de trabalho formais, superando em quase quatro vezes os resultados do governo FHC em oito anos. Com a inflação em queda e os reajustes salariais das categorias, preserva-se e aumenta-se o poder de compra dos salários dos que já estavam empregados e do contingente que ingressou ou voltou a ter espaço no mercado de trabalho a partir de 2003.
O ministro da Fazenda, Antonio Palocci, tem observado que os fundamentos da economia aplicados até aqui, aliados à maturidade política e institucional já alcançada no Brasil, estão nos ajudando a enfrentar a crise política. Nada foi capaz de abalar um trabalho bem feito. Concordo com esse entendimento. O Brasil não se lançou numa aventura ao eleger o governo Lula. Escolheu um programa de governo que trabalhava por alcançar resultados que hoje somos capazes de relatar.
A retomada do crescimento econômico tem um resultado claro: melhora as condições de vida dos brasileiros. Somada à adoção de políticas públicas focadas no combate à pobreza, traz mais acesso à educação, saúde, garantia de alimentação, créditos para a casa própria, consumo e geração de novos pequenos negócios. A conjugação desses esforços trouxe oportunidades a milhões de pessoas que antes estavam vivendo à margem da sociedade, excluídas. Cito dois bons exemplos: programa Bolsa Família e o estímulo ao microcrédito.
O programa Bolsa Família foi criado a partir da unificação dos programas de transferência de renda já existentes do Governo Federal (Bolsa Escola, Bolsa-Alimentação, Cartão-Alimentação e Auxílio Gás). Em maio, alcançava 7 milhões de famílias beneficiadas (62,5% do total de famílias pobres do país). Com o microcrédito, o governo Lula criou e consolidou o maior programa de crédito popular e inclusão bancária realizado no país.
Mais de 5 milhões de pessoas puderam abrir uma conta bancária simplificada, isenta de tarifas e sem a exigência de comprovante de renda e de endereço. Tiveram acesso a créditos com taxas de juros limitadas a 2% ao mês para começar ou ampliar seu negócio, ou seja, para se incluir na ciranda da produção e do crescimento econômico, trabalhar e ver preservada sua dignidade. É esse o Brasil que vem ganhando o respeito da comunidade internacional.
A autora, Marta Suplicy, é vice-presidente nacional do PT e ex-prefeita de São Paulo