De São João del Rei a Tiradentes vale arriscar uma viagem de trem pela histórica maria-fumaça, adaptada para ser movida a óleo diesel. O trajeto é de 20 minutos até Tiradentes. Os trilhos atravessam invernadas de gado. Embora corra sobre a bitola mais estreita do mundo – apenas 76 centímetros –, o trenzinho é operado pela Vale do Rio Doce e oferece absoluta segurança. As crianças adoram.
Tiradentes é uma cidadezinha com duas ruas calçadas com “pedras solteiras”. Assim chamadas porque são grandes lajes sem a preocupação de “juntá-las”. Mas o comércio é sofisticado, cheio de butiques, artesanatos caros e restaurantes, onde o tutu de feijão sai por até 60 reais. É melhor forrar o estômago antes, num self-service defronte à estação do trem, em São João del Rei. Bem mais barato.
Tiradentes é uma cidade-presépio. A Igreja de Santo Antonio, de 1788, foi restaurada pela Fundação Roberto Marinho e exibe muito ouro ofuscante nos seus altares. Não é à toa que a TV Globo está sempre se utilizando da Tiradentes colonial e da igreja como cenários das suas novelas.
Os ricos de Belo Horizonte compraram os velhos casarios, reformaram e remodelaram por dentro os solares, onde costumam passar seus fins-de-semana. Por isso tudo lá é tão caro.
Vale uma visita à Matriz de Santo Antonio, onde a outra grande atração é o belíssimo órgão alemão em estilo rococó, presente de D. João VI que o mandou vir da Europa. Visite o museu na casa paroquial onde morou Tiradentes. Admire a loja de venda de mobílias produzidas a partir de madeiras recuperadas de Francisco Rodriguez. Se tiver fôlego, compre algumas peças que ele se encarrega de despachar para Bauru. O filho de John Sommers também tem uma loja em Tiradentes, onde vende utensílios em estanho.