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Justiça mantém ex-prefeito na prisão

Por Lilian Christofoletti | Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

São Paulo - A juíza da 2.ª Vara Federal de São Paulo, Sílvia Maria Rocha, não aceitou ontem revogar o pedido de prisão preventiva do ex-prefeito Paulo Maluf e de seu filho Flávio. Os dois deverão permanecer presos na carceragem da Polícia Federal (PF) em São Paulo pelo menos até o julgamento do habeas corpus impetrado no Tribunal Regional Federal (TRF), o que pode levar ainda 30 dias.

O pedido de revogação da prisão havia sido feito por advogados de Maluf, que alegaram não haver mais riscos de eles interferirem no andamento do processo, já que o doleiro Vivaldo Alves, conhecido como Birigüi, principal acusador do ex-prefeito, já havia prestado depoimento na Justiça. À época, a juíza baseou sua decisão em escutas telefônicas que revelaram uma tentativa dos Maluf de interferirem no depoimento do doleiro. Vivaldo Alves foi ouvido em juízo e confirmou o que havia declarado ao Ministério Público Federal: que movimentou US$ 161 milhões nos Estados Unidos a pedido de Flávio.

Ontem a magistrada entendeu que, além do interrogatório do doleiro, Maluf e Flávio poderiam interferir no depoimento de outras testemunhas que serão ouvidas durante o período de instrução penal, fixado em 81 dias. Ontem à noite, ao ser visitado por sua nora Jacqueline, mulher de Flávio, e por advogados, Maluf chorou e reclamou da incerteza de não saber quando seria libertado. Ainda reclamou de dores no estômago e no coração. Foi atendido pela manhã por médicos da PF, que constataram que ele estava bem. A família de Maluf divulgou uma nota anteontem dizendo-se preocupada com o estado de saúde do ex-prefeito.

Maluf reclamou de dores no peito na noite de segunda-feira. No dia seguinte pela manhã, ele foi transferido ao Instituto do Coração (Incor), onde passou por um exame de cateterismo. O ex-prefeito teve alta hospitalar 24 horas depois. Os advogados de Maluf deverão entrar hoje com um pedido na Justiça para que o ex-prefeito seja novamente transferido para um hospital, para que ele passe por exames no estômago.

Na noite de ontem, havia um boato de que a juíza revogaria a prisão. Sabendo disso, o ex-prefeito havia informado que iria deixar todos os seus pertences, como roupas, colchão e cobertor, para os demais presos. Até às 19h20 de ontem, os advogados não haviam confirmado a decisão da juíza. Ainda na noite de ontem, o procurador responsável pelo caso, Rodrigo de Grandis, foi à juíza federal. O procurador disse que foi apenas despedir-se dela, pois está entrando de férias.

Ontem, Maluf e Flávio receberam a visita do deputado estadual Antônio Salim Curiati (PP-SP), que esperava que Maluf fosse solto. Ao deixar o prédio da PF o parlamentar afirmava que os Maluf seriam soltos ontem.

Na prisão

Desde que se entregou à Polícia Federal, há 20 dias, Maluf chegou a dividir a cela de aproximadamente 12 metros quadrados com pelo menos outras quatro pessoas além de Flávio. Numa operação do Ministério Público Federal, procuradores descobriram que o ex-prefeito tinha direito a uma sala exclusiva para guardar seus pertences, recebia os netos na cozinha - no lugar do pátio destinado a todas as visitas -, e tinha horários mais flexíveis para ficar dentro da cela.

Segundo agentes da PF, nos primeiros dias, Maluf estava mais comunicativo, cumprimentava e conversava com as pessoas que encontrava. Nos últimos dias, no entanto, o ex-prefeito tem se mostrado abatido, reclamando de dores e da qualidade da comida.

Maluf e Flávio respondem a dois processos criminais e a um cível, por improbidade administrativa (má gestão pública). Para o Ministério Público, Maluf desviou dinheiro durante a gestão dele na Prefeitura de São Paulo (1993-1996). A Promotoria de Justiça da Cidadania argumenta que, apenas na Suíça, os Maluf movimentaram US$ 446 milhões. O dinheiro creditado aos Maluf no Exterior está bloqueado.

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