Tribuna do Leitor

A amante e o vendedor


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Caros leitores, algumas coisas parecem não mudar. E é claro que, se as “coisas” não mudam, é porque as pessoas não mudam! Explico. O vendedor de paçoca continua sendo oprimido, enquanto a amante continua forte, quero dizer mais forte, porque se articula, se agrupa, é ardilosa, baixa e pequena, mas é forte! À amante, tudo é permitido, tudo é possível, como, por exemplo, cometer irregularidades e ser, digamos, absolvida pelos seus! Ser pega em flagrante e tornar-se invisível. Dormir com o inimigo e ainda assim ser pura. Afinal, ela é a amante!!!

O vendedor de paçoca continua sendo caçado pelos corredores do poder - claro pelo forte -, enquanto a outra, a amante, continua blindada pelo poder, transformando atos e palavras em instrumentos de tortura e perseguição. E com um detalhe: respaldada pelo poder que a acolhe e protege, posando para fotografias, brindando a impunidade, sapateando sobre a sorte do vendedor de paçoca, tramando o próximo golpe, escolhendo a próxima vítima!

O vendedor de paçoca está temporariamente mudo, calado pela censura imposta pelo poder econômico, pelos laços de amizade e, é claro, pelas amantes do poder que, em benefício próprio, prostituem as relações, já que deixam em casa a consciência e a vergonha na cara, permuntando sua dignidade por cargos de confiança e salários que são verdadeiras mamatas! Aqui, quero fazer um registro: o mensalão não é só dinheiro, não. E isso precisa ser discutido, porque hoje o vendedor de paçoca não pode trabalhar nos corredores do poder, enquanto as amantes - aquelas que saem na foto - negociam coisas que até Deus dúvida! Eu faço aqui um apelo, enquanto cidadão e funcionário público: vamos deixar o vendedor de paçoca trabalhar em paz!

Marcelo Malacrida - radialista e servidor público

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