Dos 150 inscritos no Programa de Voluntariado do Hospital Estadual (HE) “Arnaldo Prado Curvêllo”, compareceram ontem 130 candidatos que disputam 30 vagas. Os interessados ouviram uma palestra do professor Eder Trezza, presidente da Comissão de Humanização do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Botucatu, e preencheram um questionário que irá definir os selecionados. O recrutamento inicia o primeiro projeto com voluntários externos desenvolvido pelo HE, onde apenas um grupo de servidores atua voluntariamente.
Apesar da esmagadora presença de mulheres de meia idade na platéia, Trezza diz que não há desinteresse do jovem brasileiro pelo voluntariado. “Foi uma circunstância. O jovem tem mais disponibilidade que o adulto e mais vontade de participar.”
Entretanto a baixa presença de jovens interessados no voluntariado também chamou a atenção de Fátima Chahad, coordenadora da Humanização do HE. Ela diz que a ausência de pessoas mais novas se deve provavelmente à imagem do voluntário estar indevidamente vinculada a ações promovidas por pessoas mais velhas e com maior tempo disponível para dedicação. A presença maciça de mulheres de meia idade chamou a atenção de Luiz Otávio Vianna.
O estudante de direito, de 23 anos, representava simultaneamente jovens e homens entre uma dezenas de mulheres. “Esperava encontrar mais jovens. Mas aqui vieram pessoas que já atuaram e quem precisaria iniciar no voluntariado não apareceu”, se queixa. Ele argumenta que é importante a presença de jovens que, em tese, teriam “perfil dinâmico e alegre”.
Disposição e bom humor é o que não falta à professora Laurita Fernandes Fassoni, que não quis informar sua idade à reportagem. Fassoni é professora aposentada entretanto ainda atua na docência universitária e encontra tempo e, principalmente, disposição para prestar solidariedade. Ela comenta que já faz tempo que atua como voluntária em Bauru e São Paulo, envolvida em projetos como de doação de córneas.
A atividade de sensibilização promovida ontem recrutará voluntários que irão atuar no Hospital Estadual “Arnaldo Prado Curvêllo”, atendendo as diretrizes do Sistema Único de Saúde (SUS) e da Política Nacional de Humanização (Humaniza SUS). Após ouvirem Trezza, os participantes responderam um questionário que vai identificar o perfil que atende as necessidades da instituição. Chahad acrescenta que há carência, principalmente, de cabeleireiras, manicures e músicos.
Ela explica que as pessoas selecionadas irão atuar já a partir deste ano com crianças e mães de pacientes internados na UTI e na Unidade de Terapia de Queimados (UTQ). Os voluntários vão fazer com as mãe um trabalho de produção de artesanato com diferentes técnicas. Conforme Chahad, atualmente oito funcionários do hospital realizam voluntariamente atividades com música e teatro de fantoches voltados a pacientes, parentes e servidores. Outros três funcionários promovem um trabalho específico para profissionais do hospital.