Tribuna do Leitor

Desarmamento: sim ou não?!


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Está sendo veiculado na mídia em geral o referendo popular em relação ao comércio ou não das armas de fogo e munição no Brasil. Em primeiro lugar, é uma ação com caráter demagógico e mistificador pois os seus idealizadores não discutem os determinantes da violência e pressupõe que a violência no Brasil vá diminuir ou ser minimizada se for proibido a venda de armas. Se isso não ocorrer, a violência vai aumentar. Essa dicotomia é falsa pois a origem da violência no Brasil tem outros determinantes tais como: 1) a imensa concentração de renda nas mãos de uns poucos espertalhões; 2) a estrutura de corrupção montado pelas elites desde a República (a famosa “caixinha” é uma instituição nacional, principalmente com o dinheiro público); 3) uma justiça bastante questionável (juiz Lalau, roubo na PF, etc), que funciona predominantemente quando o sujeito é pobre (a mulher roubou um shampoo no mercado e ficou um ano na cadeia, a dona da Daslu, nem meio dia), para citar alguns.

Se não tivermos políticas públicas que procurem romper com essa estrutura, o referendo só será mais uma forma de tripudiar sobre o cidadão brasileiro, tal como ficar espalhando penitenciárias pelo interior, fazendo a população acreditar que é vantagem para a cidade, que é o progresso chegando. Outro problema está em se fazer acreditar que a proibição de venda vai fazer com que os bandidos não tenham mais armas. Ora, as armas enviadas por correio e apreendidas por acaso na penitenciária de Iaras não foram comprados na loja do seu fulano, mas sim originadas do tráfico e das próprias polícias e forças armadas, pois algumas eram de uso privativo dessas instituições. Infelizmente, a proibição da venda de armas de fogo e munições vai implementar o tráfico de armas, um grande negócio igual ao tráfico de drogas, que só pode ser tão grande porque deve ter muita gente importante envolvida, senão já teria acabado. Não pretendo esgotar o assunto, pois sei que faltam abordar outras questões. São somente algumas considerações para que comecemos a propor mudanças significativas e não essas propostas simplistas que gastam o dinheiro público em propaganda e movimentação eleitoral para nada. Investir seriamente em Educação e trabalho já seria um bom começo. Vejam um documentário intitulado "Tiros em Columbine”, é uma contribuição para a reflexão! Obs.: Não tenho arma e nem intenção de adquirir uma!

Osvaldo Gradella Júnior - RG 7.708.591

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