A hidrovia Tietê-Paraná poderá ser uma das soluções para a Petrobras reduzir custos no transporte de combustível. Essa possibilidade faz parte de uma série de estudos que a empresa vem realizando na tentativa de encontrar alternativas ao transporte rodoviário.
Técnicos da estatal estiveram analisando recentemente a infra-estrutura oferecida pela hidrovia. A idéia é escoar a produção de álcool anidro e hidradatado do Interior do Estado até Paulínia, na região de Campinas, pelo rio Tietê. Atualmente, o transporte é feito pelas rodovias, que nem sempre estão em boas condições e acabam resultando em prejuízos à empresa.
Caso esse meio de transporte mostre-se viável financeiramente, a Transpetro (braço logístico e de transporte da Petrobras) já cogita também a possibilidade de transportar gasolina e óleo diesel da refinaria de Paulínia para o Interior do Estado.
O trecho da hidrovia Tietê-Paraná em operação passa por diversas cidades ribeirinhas da região, como Pederneiras, Itapuí, Boracéia, Barra Bonita, Arealva e outras.
O resultado do estudo da Transpetro será mostrado no 1.º Encontro de Logística e Transportes no Oeste Paulista, em Araçatuba, no próximo dia 20.
Segundo informou o presidente da Cooperativa do Pólo Hidroviário de Araçatuba (Cooperhidro), Carlos Farias, a estatal realizou várias reuniões com empresários do setor sucroalcooleiro e comparações entre o transporte rodoviário e hidroviário.
As tarifas de pedágio e as más condições de conservação das estradas estariam entre as principais reclamações da empresa para manter o transporte apenas por rodovias. Esses gastos elevam o custo do produto, que, conseqüentemente, é repassado ao consumidor.
Farias disse que a Cooperhidro colocou-se à disposição da Petrobras para oferecer toda a infra-estrutura necessária ao transporte dos combustíveis pelo rio Tietê. “A hidrovia tem condições e potencial para construir bases em vários pontos para coleta e distribuição. Agora, depende do interesse da empresa (Petrobras)”, comentou.
A cooperhidro é uma entidade privada, sem fins lucrativos, formada por empresas que utilizam diretamente ou indiretamente a hidrovia Tietê-Paraná.
Na opinião do presidente da entidade, o interesse da Petrobras por esse tipo de transporte pode significar uma importante expansão da hidrovia no Interior do Estado. Segundo Farias, o transporte hidroviário no Brasil é muito pouco explorado.
De 1998 até o ano passado, o transporte de cargas na hidrovia Tietê-Paraná cresceu 50%, segundo o Departamento Hidroviário (DH), órgão ligado à Secretaria de Estado dos Transportes.
Na planilha apresentada pelo DH, consta que, em 2004, a hidrovia foi utilizada para o transporte de mais de 3 milhões de toneladas de produtos variados. Além da soja e de seus derivados, estão na lista o milho, trigo, mandioca, carvão, adubo, areia e cascalho.
São cerca de 1.250 quilômetros de trechos navegáveis, sendo 450 quilômetros no rio Tietê e 800 no rio Paraná. Além de São Paulo, os Estados do Mato Grosso do Sul e Paraná também são atendidos pela hidrovia.