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Corpo de dançarina desembarca no Rio

Folhapress
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Rio de Janeiro - O corpo da brasileira Ana Lúcia Bandeira Bezerra chegou ontem ao Rio de Janeiro após ficar 13 dias na Itália onde ela morreu no último dia 25 em consequência de overdose de cocaína, de acordo com a polícia italiana. A família, no entanto, não conseguiu realizar o sepultamento ontem.

O enterro, que está marcado para hoje, não foi realizado porque o consulado brasileiro em Milão não enviou para o Brasil o atestado de óbito, que é exigido por legislação municipal. A família teve que deixar o corpo em uma geladeira do cemitério do Caju (zona portuária).

Ana Lúcia atuava como dançarina em uma festa na casa do ator Paolo Calissano, em Gênova. Segundo a polícia italiana, ingeriu cocaína e morreu de overdose. O artista acabou preso.

Além da irritação por não ter conseguido enterrar a filha, o marceneiro Reinaldo Bezerra voltou a reclamar do governo brasileiro que, segundo ele, não ofereceu qualquer ajuda para trazer o corpo para o País - o Ministério das Relações Exteriores alegou não ter verba para este tipo de situação. As despesas com o traslado foram pagas pela família do ator italiano. “Eu não consegui nada no meu país. É muita burocracia”, declarou ele.

Antes de saber que não poderia enterrar Ana Lúcia, a família ainda precisou esperar quase cinco horas para liberar o corpo no Aeroporto Internacional Tom Jobim, na Ilha do Governador (zona norte).

O avião chegou por volta das 7h15, mas o corpo só deixou o aeroporto por volta do meio-dia após passar pela Receita Federal, Polícia Federal (PF) e Ministério da Saúde.

No cemitério do Caju, Reginaldo Bezerra recebeu a notícia do administrador que não poderia realizar o enterro. Segundo funcionários, o único documento que havia era a autorização para a entrada do corpo em território nacional. A família ainda tentou ir ao consulado italiano para pedir que enviasse um requerimento à Justiça afim de obter uma autorização.

O documento, no entanto, não ficou pronto a tempo. O irmão de Ana Lúcia, Josivaldo Bezerra, afirmou que a família não falará mais sobre as circunstâncias de sua morte. Os parentes negam que ela fosse dançarina e acreditam que tenha sido assassinada. Josivaldo afirmou que o governo não se sensibilizou com a situação de sua família que, segundo ele, teve que se humilhar para conseguir dinheiro e remover o corpo.

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