Bairros

Dia de carroceiro começa de madrugada

Da Redação
| Tempo de leitura: 3 min

A cena se repete quase que diariamente. O carroceiro levanta durante a madrugada, toma o café da manhã, busca o cavalo, prepara a carroça e parte para as ruas do município com a esperança de fazer uma boa coleta de produtos recicláveis ou, então, acertar um serviço de transporte de carga. Normalmente, eles não trabalham sozinhos, estão sempre acompanhados de um familiar ou amigo, que também sobrevive desse tipo de economia informal.

Para que o dia seja produtivo e bastante lucrativo, o ideal é sair o mais cedo possível para que sobre tempo suficiente para voltar para casa, armazenar todo o recolhimento e, depois, retornar para as ruas e encher a carroça novamente.

O carroceiro Eduardo Ribeiro Brandão leva esse tipo de vida há seis meses. Além de coletar papelão, plástico, latinhas de alumínio e garrafas descartáveis na região central da cidade, ele também recolhe lavagem para alimentar uma criação de porcos que mantém.

De acordo com Brandão, depois de passar um mês inteiro guardando no quintal de sua casa tudo o que tira das ruas, consegue tirar cerca de R$ 200,00. “A gente começa a trabalhar às 6h, volta para casa às 9h e sai de novo às 17h para pegar o lixo das lojas”, explica.

O caso de Lincoln Rogério da Conceição não é muito diferente. Morador da Favela São Manuel, ele já tem um pouco mais de experiência nesse ramo. O carroceiro lida com papelão desde os 7 anos de idade. Atualmente com 28 anos, tem uma criança pequena e esposa para sustentar.

“Eu tiro quase R$ 450,00 por mês, mas tenho que pagar conta de água, luz e ainda tem o dinheiro que a gente gasta para cuidar do cavalo”, reclama. Com Lincoln trabalham mais quatro pessoas, que dividem a moradia junto com a sua família.

Ao todo, ele possui três carroças, que colaboram para que consiga aumentar um pouquinho mais os ganhos. Todo o material recolhido é guardado no quintal da própria casa, não muito longe da porta que dá acesso à cozinha, mas Lincoln não vê nenhum problema nisso.

“Graças a Deus, na minha casa nunca ninguém ficou doente por causa do lixo ou por causa de picadas de insetos”, comenta, com a convicção de que não há risco nenhum para a sua saúde.

As mulheres também fazem parte desse grupo de trabalhadores informais. Ana Lúcia da Silva, moradora da Favela São Manuel, trabalha com todo tipo de material reciclável, e, se for preciso, encara até transportes de cargas de mudanças ou entulhos. Tudo para conseguir sustentar o pessoal de casa. São cinco filhas e três netas e somente uma delas tem condições de ajudar nas despesas da casa.

Por mês, ela chega a lucrar R$ 400,00 com a venda dos recicláveis. A renda é suficiente para a sobrevivência da família, que conseguiu se livrar do aluguel. Do contrário, ela acredita que passaria necessidades.

“Eu vivo disso e preciso muito dessa trabalho, porque antes eu catava papel com o carrinho. Agora faz três anos que eu consegui comprar uma carroça com cavalo”, conta, alegre por não precisar mais dispor da força utilizada no carrinho de mão.

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