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Na Justiça, PT tenta adiar abertura de processo

Folhapress
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Brasília - A decisão da Mesa Diretora da Câmara de enviar todos os pedidos de cassação ao Conselho de Ética deve ser questionada judicialmente pelo PT, num último gesto para evitar a abertura de processos por quebra de decoro. Ontem, a tendência era de quatro deputados renunciarem a seus mandatos até segunda: Paulo Rocha (PT-PA), José Mentor (PT-SP), Pedro Corrêa (PP-PE) e José Borba (PMDB-PR).

A ação no STF foi discutida ontem em almoço que reuniu numa churrascaria cinco petistas ameaçados: Mentor, Rocha, Professor Luizinho (SP), Josias Gomes (BA) e João Paulo Cunha (SP).

João Paulo, ex-presidente da Câmara, é o articulador da idéia. Seu argumento: a Mesa, ao analisar os processos de forma coletiva, descumpriu o que mandou liminar do Supremo Tribunal Federal. Mas mesmo entre os petistas há a convicção de que uma nova ação judicial é uma mera manobra protelatória e que o prazo para a decisão final se esgota. Mentor admite que a possibilidade de renunciar é forte. O pretexto seria a suposta injustiça de um processo “viciado”.

Dos petistas, Luizinho e Magno são os mais firmes ao dizer que vão até o fim. Josias e João Paulo ficam no meio do caminho. Publicamente dizem que enfrentam o processo, mas internamente sinalizam que podem mudar de idéia. Pesando a favor de enfrentar o processo os petistas contam com a possibilidade de as cassações só serem votadas em fevereiro ou março, já com o clima político mais ameno. Essa é uma posição que o próprio Dirceu defende, segundo a reportagem apurou.

No PP, havia fortes rumores ontem de que Corrêa teria decidido romper o acordo firmado com os outros três acusados do partido - Pedro Henry (MT), José Janene (PR) e Vadão Gomes (SP) - para que nenhum renunciasse.

Após a decisão da Mesa, Corrêa comentou ontem com interlocutores que sua situação era a mais difícil, porque recairá sobre ele o peso de ser o presidente do PP. Ele não comentou o assunto ontem. Henry e Vadão avaliam que escaparão da cassação porque as acusações contra eles figuram na lista das mais frágeis e, conforme os integrantes da Mesa, há falta de provas.

Janene avalia que a retirada de um trecho do relatório da Corregedoria que trata do seu caso poderá abrir espaço para que recorra à Justiça. A mudança veio à tona anteontem. O relatório da Corregedoria trazia uma retificação, suprimindo um trecho do capítulo sobre Janene. Se a alteração foi feita após a votação do parecer na Corregedoria, isso abriria espaço para que Janene e os outros acusados questionassem a validade do relatório.

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