Cultura

KLB busca respeito com ‘Obsessão’

Diego Molina
| Tempo de leitura: 3 min

Ter 3,5 milhões de discos vendidos em cinco anos - em épocas de pirataria - é uma conquista expressiva para qualquer artista. Ainda assim, o KLB luta para enfrentar os que torcem o nariz para sua música sem vergonha de ser pop e consolidar os nomes de Kiko, Leandro e Bruno como músicos de verdade, e não somente ídolos teens. Em nova gravadora, eles acabam de lançar “Obsessão”, sexto disco de inéditas na curta carreira do trio.

Por conta da fusão da Sony - gravadora que os lançou - com a BMG, no início do ano, os irmãos pediram para sair, mesmo com contrato para mais dois anos. “As coisas ficaram meio bagunçadas e optamos por encerrar o contrato. Ficamos contentes em perceber o prestígio que temos ao sair da Sony e no mesmo dia assinar com a Universal Music. É esse incentivo que move o nosso trabalho”, comenta Kiko, o guitarrista e mais velho dos irmãos, em entrevista ao JC Cultura.

A produção do novo CD ficou a cargo do midas inglês Paul Ralphes, que já transformou em sucesso discos de Skank, Kid Abelha, Lulu Santos, Cidade Negra e Engenheiros do Hawaii. “Guiamos nosso trabalho a partir da idéia de que o KLB é uma banda formada por três músicos. Todas as bases de guitarras, baixo e bateria foram gravadas pelos três, o que garantiu um som mais natural ao disco”, conta o produtor, em entrevista divulgada pela assessoria de imprensa da gravadora.

Kiko faz questão de salientar a posição dos irmãos como músicos com poder de decisão nas gravações. “O disco foi pensado para ser o mais KLB possível, mais próximo daquilo que gostamos e do que tem a ver com nossa característica musical. O mais interessante de tudo é que somos uma banda, tocamos no disco todo, como sempre foi. Nos primeiros discos, ainda tínhamos algumas bases programadas, mas agora é tudo 100% tocado pelo KLB”, frisa o guitarrista.

“Obsessão” realmente tem essa característica mais “orgânica” na maioria das músicas. A maior parte delas também é de baladas, no estilo que consagrou o trio, porém com dose menos exagerada de açúcar do que em discos anteriores. O destaque fica justamente para a canção que mais foge ao “padrão KLB”, “Giuliana”, de Juno, que eleva o som das guitarras e joga um pouco de agitação no disco.

O álbum ainda traz uma versão de “Angel”, de Robbie Williams. Primeira música de trabalho, “Anjo” já está entre as mais tocadas nas rádios do País. “Foi uma sugestão da gravadora. Já gostávamos da música, ela faz parte do nosso playlist. O mais interessante foi a liberação dessa canção. Pelo que me foi informado, outros artistas já tentaram gravar e o Robbie Williams não autorizou. Quando foi pedido para o KLB, ele próprio assinou a autorização, antes mesmo da editora assinar. Isso foi muito bacana”, comenta Kiko.

“O nome do disco veio da primeira música que surgiu para esse novo trabalho e também da obsessão de trabalhar que temos”, aponta Bruno, o caçula. Eles trabalham, não há dúvida, e agradam o público que já os adora, com músicas e postura de bons moços. Só resta saber se ainda há espaço para a música pop do KLB na atualidade nacional de cantoras “de atitude” e cabelos vermelhos e bandinhas de rock pré-fabricadas falando de amor.

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