O aumento da tarifa do transporte coletivo urbano em Bauru - para R$ 1,60 o passe comum e R$ 2,00 o integrado a partir do dia 24 deste mês - gerou confronto de posições entre os sindicatos e entidades ligados à Central Única dos Trabalhadores (CUT) e o Conselho de Usuários do Transporte Coletivo. Um manifesto das entidades condena a elevação no preço da tarifa e ataca o papel desempenhado pelo Conselho. Já o órgão rebate apontando para omissão da CUT por rejeitar a indicação de membro para discutir a política pública do setor na cidade.
No manifesto distribuído à população, as entidades e sindicatos cutistas criticam que o governo municipal e os empresários do setor desrespeitaram os trabalhadores e os estudantes, aumentando o valor da tarifa dos atuais R$ 1,50 para R$ 1,60 para o passe comum e de R$ 1,90 para R$ 2,00 o passe integração. “Fizeram as contas e resolveram aumentar seus lucros. Não é novidade para ninguém que o transporte coletivo de Bauru é um dos piores do Estado, a tarifa é elevada e não existe terminal urbano como em Araraquara, Marília, Franca e Ribeirão Preto”, lança a nota da CUT.
O presidente do Conselho de Usuários, Rubens Roberto de Souza, reage em repúdio ao manifesto do Sinserm e dos sindicatos que compõem a regional da CUT, pois este demonstra a falta de compromisso com a população. “A CUT não assume seu assento no conselho desde 2002, preferindo ficar como oportunista de plantão à espreita de reajuste na tarifa para depois de colocar com paladinos da verdade”, rebate o órgão que representa os usuários.
O manifesto, assinado por entidades como o Sindicato dos Servidores (Sinserm), Bancários, Adunesp, Sintunesp, Metalúrgicos, Trabalhadores dos Derivados de Petróleo, Ferroviários e Regional Conlutas e da própria CUT, aborda a falta de ônibus, sobretudo nos finais de semana, e a perda de empregos com a instalação de catracas eletrônicas.
Sobre o papel do Conselho de Usuários, os cutistas se posicionam a favor do órgão, mas são contra o papel consultivo. “Esse conselho não apita nada e só ratifica as propostas da Emdurb e dos barões do transporte. Cabe até uma pergunta. Você, usuário do transporte, conhece o Conselho de Usuários, já participou da sua escolha?” questionam, lançam as entidades.
Sobre esses posicionamentos, Rubens de Souza argumenta que o conselho é consultivo e a alteração para deliberativo (com poder de decisão) depende da aprovação através de lei municipal. Em relação ao aumento da tarifa, o órgão pondera que não foi aceita a proposta de cálculo da administração municipal.
A Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural (Emdurb) posicionou que o custo atual do passageiro transportado estaria em R$ 1,64 para o passe comum e R$ 2,17 para o integrado. Os conselheiros sugeriram elevação da tarifa de 6%, com base na inflação do período, contra os 9% mencionados na planilha da Emdurb.
Passe-livre
A CUT quer a mobilização da população contra a vigência do reajuste na tarifa e reivindica passe-livre para estudantes e desempregados. “O passe-livre precisa ser discutido com toda a sociedade, pois é a coletividade que deve definir se tem que pagar este benefício ou a despesa deve ser bancada com Orçamento municipal. Os cobradores não foram demitidos com a vinda das catracas e a redução de veículos nos finais de semana é uma prudência que atende ao menor número de passageiros. Não dá para concordar com ônibus circulando sem passageiros, isso é custo para o sistema”, reage Rubens de Souza.
O presidente do conselho finaliza que não admite críticas contra o órgão vindos de entidades sindicais que se omitem em participar da discussão.