Tribuna do Leitor

Flávio Carvalho Molina


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Nesta terça-feira, foram sepultados os restos mortais do militante da ALN e Molipo, Flávio Carvalho Molina, nascido aos 8/11/1947 e morto sob tortura em 7/11/1971, nas dependências do DOI-Codi, em SP. Descobertos os restos mortais em 1981, a família lutou vinte e quatro anos para obter o reconhecimento do assassinato de seu filho, que foi sepultado com o nome falso de Alvaro Lopes Peralta, no cemitério de Perus-SP. Interessante é que um relatório assinado pelo delegado Romeu Tuma afirma textualmente que Flávio foi sepultado com o nome de Alvaro. Morto aos vinte e quatro anos, deixou, entre outras, a poesia abaixo:

“Balada para alguém distante,

Por que alguém, mais dia menos dia, Fica ausente? Brincando com o coração da gente Tirando a nossa alegria... Por que alguém, mais dia menos dia, Deixa tudo? Deixando também um coração mudo de tanta melancolia... Por que alguém, mais dia menos dia, parte para um lugar distante? Causando uma dor talhante, que ninguém mais avalia...” “Minha presença a dor que te devora muitos a tem agora. Reage! Luta contra ela, pois senão te dilacera E ainda mais vais sofrer, pois continuará a doer. Estou aqui. Aqui, bem junto a ti. Posso não estar presente. Mas por mais que me ausente Sempre estarei aqui. (Flávio 12/2/1969)."

Pena que a luta encetada por Flávio e tantos outros que ousaram enfrentar a tirania e a ditadura, perdendo suas vidas em busca de um ideal, esteja sendo atirada sistematicamente na lata do lixo, tanto pelos detentores do poder de hoje, como já foram pelos que estiveram comandando a nação ontem.

Antonio Pedroso Júnior

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