São Paulo - Os brasileiros estão divididos entre as alternativas do referendo acerca da venda de armas de fogo e munição que acontece no próximo dia 23. O empate técnico entre o “sim” e o “não” foi apontado ontem por uma pesquisa do Ibope divulgada no “Jornal Nacional”, da Rede Globo. Entre os entrevistados, 49% afirmaram que pretendem votar contra a proibição. Outros 45% disseram ter a intenção de votar a favor.
O resultado é considerado empate, apesar da vantagem de quatro pontos percentuais do “não” sobre o “sim”, devido à margem de erro, que é de 2,2 pontos percentuais. De acordo com a pesquisa, o público mostrou-se indiferente à veiculação das propagandas das frentes parlamentares Pelo Direito da Legítima Defesa e Por um Brasil Sem Armas que são, respectivamente, contra e a favor da proibição.
Dos entrevistados que estão acompanhando as propagandas, apenas 12% admitiram ter mudado de opinião. A grande maioria, de 85%, diz não ter mudado. Outros 3% preferiram não opinar.
Euforia e cautela
Numa mistura de euforia com cautela, integrantes da frente parlamentar contrária à proibição da comercialização de armas e munição comemoraram ontem o resultado da pesquisa Ibope. Mesmo diante da empolgação dos contrários à proibição, a frente do “sim”, que trocou o comando e a estratégia de campanha nos últimos dias, ainda enxerga a possibilidade de vitória no referendo.
A linha é que a tendência de queda do “sim” já foi abortada, e o número de indecisos sobre o tema ainda é alto. “O nosso avanço já era previsto. Iríamos virar o jogo mesmo. A sociedade recebeu as informações do programas de rádio e de TV e reagiram contrários ao “sim”.
A nossa tendência, aliás, é crescer cada vez mais a partir de agora”, disse o deputado Alberto Fraga (PFL-DF), presidente da Frente Pelo Direito da Legítima Defesa. Da mesma frente, o deputado Luiz Antônio Fleury Filho (PTB-SP) tenta demonstrar cautela com a pesquisa (“Não tem nada ganho ainda”) e nenhuma preocupação com as mudanças no comando e na estratégia de campanha da frente favorável à proibição.
“Isso não me preocupa porque o povo não é bobo. Se eles mudarem a estratégia de campanha, como é que eles vão justificar a estratégia anterior? Então a estratégia anterior era mentirosa? Isso pode ser uma arma contra eles mesmos”, disse.
Otimismo
Secretário-executivo da frente a favor da proibição da venda de armas e munição, o deputado Raul Jungmann (PPS-PE) permanece otimista para o referendo, mesmo com os resultados da pesquisa Ibope divulgados ontem.
“A previsão sempre foi que a campanha seria árdua e dura. Isso está se configurando agora, com certeza.” Jungmann ainda conseguiu enxergar dados positivos no levantamento. “A nossa tendência de queda estagnou. Temos um núcleo duro, dos que já fecharam com a gente, superior ao do “não”. Vamos reverter esse quadro até o dia do referendo.”
O voto no referendo é obrigatório. Quem estiver fora da zona eleitoral deverá comparecer a uma zona ou posto eleitoral no próprio dia 23, das 8h às 17h, para se justificar. O formulário de justificativa já está disponível na Internet e nos cartórios eleitorais do todo País. Os eleitores que moram no Exterior não poderão votar.