A humanidade, desde a invenção da roda e da descoberta do fogo, sempre procurou criar formas de facilitar o seu trabalho e lhe dar conforto enquanto trabalha, mas observamos que muitas vezes essas tecnologias acabam gerando situações embaraçosas para muitos seres humanos. A revolução industrial e o advento do sistema capitalista jogou a muitos em uma degradação financeira e moral de alarmantes proporções, se tomarmos por base a estrutura social da época em que surgiu esses dois eventos históricos, vamos observar que famílias inteiras foram lançadas na mais completa miséria.
O incremento da tecnologia nos dias de hoje propiciou agilizar o nosso serviço, facilitar o acesso a informações, etc. Mas, por outro lado, o progresso tecnológico acabou criando mais miséria com o aumento do desemprego. Em setores que antigamente absorviam grande mão-de-obra, vemos robôs e computadores reduzindo essa mão-de-obra.
Vários países, inclusive o Brasil, desenvolvem tecnologia sem no entanto adequar a população a usar essa tecnologia. Quando o Brasil passou a abrir as portas para o computador, muitas empresas o adquiriram sem no entanto qualificar seus funcionários para usar os computadores, além de agravar o desemprego que já estava crítico, empresas começaram exigir dos candidatos a preenchimento de vagas, noções de informática, quando não existiam ainda a quantidade de cursos de informática que existe hoje. Sem falar da maioria da população que não tem acesso a essa tecnologia, devido ao alto preço dos computadores, essa tecnologia se tornou mais seletiva. Existem ONGs que se tivessem sido criadas há mais tempo, não existiria essa tão grande barreira que muitas vezes impede a muitos de usá-la, para ilustrar isso observamos vários fatores:
1- Agravamento do desemprego: substituição de mão-de-obra por robôs, computadores, etc, exemplo: indústria, comércio, escritórios, e agora transporte coletivo (substituição gradativa do cobrador pela catraca eletrônica) e a exigência cada vez crescente de noções de informática.
2- Conhecimento: o ensino na área de informática continua elitista, pois os custos de um curso de informática mantêm a maior parte da classe trabalhadora à margem da tecnologia.
3- Alto custo do computador: o computador nas lojas chega até R$ 3.500,00 e o notebook gira em torno de R$ 5.000,00.
4- Peso no orçamento familiar: para se acessar a internet é necessário usar a linha telefônica e até a banda larga que dizem não usar o telefone encarece a conta telefônica (na verdade, para usar a banda larga você tem que usar sua linha telefônica). Por que não se cria um acesso à internet via satélite, sem ter que passar pelo telefone? Se houver uma preocupação com a democratização da informática, aí sim, vamos reduzir o desemprego e as desigualdades sociais.
Valdir Roberto Gonçalves Mucheroni - RG 20.496.557-3