Regional

Cidade abastece produção brasileira

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 5 min

Da cidade de Dois Córregos sairão para o mundo, especialmente para os Estados Unidos, cerca de 900 toneladas de noz macadâmia processada, o que corresponderá a 1/3 da produção brasileira este ano. A noz, que contém ômega 7 e está isenta de colesterol, é pouco conhecida dos brasileiros, mas faz enorme sucesso no Exterior, onde é usado na confecção de aperitivos e recheios de chocolates. Seu óleo é usado em cosméticos voltados ao rejuvelhescimento.

O sucesso da noz no Exterior é explicado pela própria história da fruta, que nasceu na Austrália e por muito tempo foi considerada apenas como planta ornamental. De lá, se espalhou pelo mundo e tem nos Estados Unidos seu maior mercado consumidor, os quais respondem por cerca de 40% da produção mundial.

Em segundo lugar está o Japão, em terceiro a Europa como um todo e em quarto, a Austrália. “A produção brasileira deste ano vai ser de 3.200 toneladas de noz em casca. Nós vamos processar 1/3 desse total. Além da produção própria, temos 94 fornecedores espalhados pelo País, desde de Dois Córregos até a cidade de Porto Seguro, na Bahia”, comenta o executivo Pedro Toledo Piza.

De acordo com ele, a produção de macadâmia em Dois Córregos é crescente. “Este ano vamos produzir 200 toneladas porque tivemos uma seca muito grande no ano passado e perdemos cerca de 100 toneladas. Para o ano que vem a estimativa é atingir 400 toneladas.”

Mesmo com uma produção considerada grande, a noz macadâmia ainda não chega à mesa dos brasileiros. “Não temos volume para atender o mercado interno. Eu não posso fazer propaganda porque não tenho produção suficiente para dar suporte nem mesmo para um pequeno supermercado.”

O grande mercado consumidor é os Estados Unidos e a maior parte das exportações da empresa de Dois Córregos, como não poderia deixar de ser, vai para lá. “Exporto para a Europa, Suíça, Japão e, em breve, para a Arábia Saudita.”

Cobertura

A maior parte do consumo de noz macadâmia se dá na forma de alimento. Sendo a torrada e salgada, tipo aperitivo, a preferida. Em seguida na preferência dos consumidores está a noz coberta com chocolates, como doces, confeitos e recheio de famosos chocolates suíços.

O óleo extraído da noz tem na cosmética seu mercado consumidor, explica o diretor da empresa. “Ela serve como base para emulsificantes, sabonetes, hidratantes e uma infinidades de outros produtos. Cerca de 6% da produção é voltada para os óleos.”

Piza ressalta que a macadâmia é rica em ômega 7 e é isenta de colesterol. “Ela é a noz que tem maior equilíbrio entre os benefícios. Quem consome, de acordo com estudos feitos na Austrália, uma ou duas macadâmia por dia tem os níveis de colesterol ruins diminuídos e os bons, aumentados.”

Na área farmacêutica, a macadâmia está sendo encapsulada. “O creme Nívea Q-10, que é um hidratante de última geração, usa o óleo de macadâmia como base. Tem o poder de rejuvenescer.”

Durante o processamento, a macadâmia é separada por tamanhos, inteiras grandes, inteiras pequenas, inteiras de metades, metades, cacos e pó. “O pó é exportado para o Canadá, onde é usado na confecção de bolo, tortas, massas e cookies, As grandes inteiras vão para o Japão, onde gostam de fazer cobertos de chocolates.”

Plantação

A maior plantação de macadâmia de Dois Córregos tem 60 mil árvores em 250 hectares. A pretensão dos proprietários é atingir 300 hectares de área plantada, explica Pedro Toledo Piza. “Tínhamos a intenção de usar 500 hectares. Porém há partes que descartamos porque a macadâmia não aceita ser plantada em local encharcado, com pedra, com solo raso, etc.”

O projeto, segundo ele, é fechar o ano com 60 a 65 mil árvores. Para o próximo ano, a projeção é ter algo em torno de 80 mil plantas. “A produção é anual. A macadâmia, após o ano de plantio, começa a produzir com 4 anos de idade e fica adulta com 12 anos. Produz até os 60 anos de vida. No Havaí há plantas produzindo com 100 anos.”

Das 60 mil árvores plantadas nessa propriedade, em torno de 10 mil são adultas, as outras 50 mil estão entre plantio recente e entrando em produção. “No ano que vem nós vamos estar com 35 mil árvores em produção, ou seja do quarto ano em diante. As mais antigas têm 14 anos.”

A safra da macadâmia começa em fevereiro e termina em junho/julho, segundo Piza. “Ela atinge dois a três meses da safra da cana. Parte dela está na entressafra da cana, o que facilita a mão-de-obra. A colheita dela é só recolher os frutos que caem no chão, que são os maduros.”

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Origem

A macadâmia é originária da Austrália. Foi descoberta por volta de 1880 e 1900. É pouco conhecida no mundo inteiro e chegou ao Brasil em 1935 como planta ornamental.

Em Dois Córregos, foi trazida pelo proprietário de usina José Eduardo Camargo, que durante suas viagens ao Exterior conheceu a planta. “No final da década de 80, ele buscava uma alternativa agrícola. Fez vários levantamentos para uma área de 500 hectares que estava livre e no meio das terras da usina, onde não era possível plantar cana, por topografia ou problema de solo.”

O usineiro, segundo o diretor da empresa, queria uma alternativa por meio da qual fosse possível produzir neste tipo de solo e condição e que usasse mão-de-obra de mais idade e que ainda trabalhava na cana. Na época, havia muitos cortadores com 60 anos. Ele preferia um tipo de cultura que a safra fosse dentro da entressafra de cana.”

Foram feitos vários testes. Testou-se o plantio de urucum, limão, abacaxi, pêssego, nectarina, ameixa e macadâmia. Conversou-se com algumas pessoas que estavam começando a plantar no Brasil e percebeu-se que a planta encontrou a melhor condição climática.

A macadâmia é nativa na Austrália, onde ela está na mesma condição de latitude que Dois Córregos. “A macadâmia é sensível à geada e às altas temperaturas. Ela precisa de um clima temperado com temperaturas abaixo de 16 graus no inverno e não acima de 36 no verão. Se tiver um pico de 38, tudo bem, mas temperaturas constantes de 36 graus afetam a florada, que não fica bem definida e interfere na produção", ressalta o executivo Pedro Toledo Piza.

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