Geral

Com novas versões, chá ganha adeptos

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 4 min

Desde o chá da vovó, até os mais elaborados, ou na versão gelada, como refresco no verão, a bebida mais consumida no mundo, de tradição milenar, está ganhando o público brasileiro. Nos últimos cinco anos, o consumo de chá em Bauru subiu cerca de 60%, de acordo com uma rede de supermercados da cidade. Cada vez mais, é um produto presente na mesa dos consumidores.

Segundo o gerente de compras da rede de supermercados, Paulo Sanches, trata-se de um segmento alimentício que ganha novas opções de produtos e de utensílios para preparar a bebida. O que Sanches afirma como tendência de mercado, a relações públicas Kelci Anne Pereira pratica desde à infância em Riberião do Sul. ”Me lembro que os vizinhos trocavam mudas (das ervas) para fazer chás”, recorda. Hoje, morando em Bauru, para não perder o hábito que adquiriu com a avó, Kelci mantém no quintal da sua casa alguns vazinhos onde cultiva as ervas para o preparo do chá.

Quando chegou a Bauru, para cursar a faculdade, Kelci, que durante a infância tomava os populares chás de hortelã, guaco e outros, passou a beber o produto industrializado, vendido em saquinhos, por não ter acesso às plantas. “A terapia é o que mais me fascina”, explica. E o que começou como uma tradição, virou estudo. Kelci pesquisa, lê sobre o assunto e pratica tudo o que aprende. Até manjericão a comunicadora descobriu que dá um gostoso chá. “E faz bem para o estômago”, garante.

Misturando as culturas ocidentais e orientais, Maria Cavaguti alterna o chá mate e o chá verde. Desde que aprendeu a técnica correta do chá oriental, ela prepara a bebida para ser consumida durante as refeições. “Faz bem para a digestão”, afirma.

Para cumprir corretamente a tradição de mais de três mil anos, Maria possui utensílios feitos de louça para preparar o chá. E faz questão de adquirir o melhor chá verde. “Faz muita diferença”, acredita. A tradição oriental milenar do chá sobrevive ao tempo e à distância. Exemplo disso é o Clube Cultural Nipo Brasileiro de Bauru, que todas as semanas realiza a “Cerimônia do Chá”. Porém, o preferido de Maria é o brasileiríssimo chá mate gelado com limão. “Esse eu não dispenso”, frisa.

Os supermercados de Bauru oferecem mais de 150 tipos de chás entre ervas in natura e secas e na versão industrializado, em saquinhos para infusão e os gelados, já prontos para o consumo. E muitos estão investindo nos utensílios para o preparo e consumo da bebida.

Paulo Sanches conta que até o final do ano, bules, xícaras e ebulidores estarão nas gôndolas dos supermercados em que trabalha. “Além de saudável (tomar chá) propicia um momento de descontração”, avalia o gerente. Nas lojas de produtos orientais, pode-se encontrar a chaleira (kyusu) e a xícara sem alças chamada yunomi, tradicionais para o chá verde.

____________________

Hábito saudável

Para quem busca no chá a ingestão de um produto saudável, além do paladar, a professora Rute Mendonça, coordenadora do curso de farmácia da Universidade do Sagrado Coração (USC), chama atenção para as toxinas presentes nas ervas. “São químicas que elas produzem para se defender do meio onde está”, alerta.

Por isso, ensina, é preciso estar atento à procedência e à data de validade da erva. Rute adianta que, quem consome chá esperando resultado imediato, pode se frustrar. Por não conter uma concentração do princípio ativo, os chás devem ser bebidos com freqüência para proporcionar o benefício. “Não é como os alopáticos (remédios), que causam alívio assim que são absorvidos”, explica.

Além disso, quem deseja iniciar um tratamento à base de chá deve consultar um especialista, orienta. “Não é porque deu certo com um amigo, que vai ter o mesmo resultado em você”, observa. Entre os chás mais conhecidos, Rute recomenda hortelã como antigripal, poejo para combater tosse, de guaco como expectorante, chá de capim-cidreira como analgésico e calmante. Mas sempre sem exageros, ressalva Rute.

Segundo Selma Aparecida Barros, responsável por uma empresa de produtos farmacêuticos à base de ervas, o uso das plantas medicinais na forma de chá ainda é novidade nos consultórios médicos brasileiros. Porém, em países como Índia e China, o uso da erva é tradição milenar.

A farmacêutica explica que a tradição do chá está ligada a um princípio: quando o homem usa a natureza para recuperar sua energia vital bloqueada, ou seja, combater a doença, está recuperando sua ligação íntima com o universo. “Esta troca de energia devolve o equilíbrio – a saúde, para a pessoa”, afirma.

Comentários

Comentários