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Lula precisa governar com ‘mais rigor’, afirma esquerda da Itália

Folhapress
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Roma, Itália - Crise de corrupção “mais endêmica” do que a que resultou na “Operação Mãos Limpas”. Esperança de que o presidente Lula supere o escândalo do “mensalão” e volte a governar com “mais rigor”. Oferta de ajuda internacional devido ao temor de que o aumento da plantação de soja e a criação de gado desmatem ainda mais a Amazônia.

Essas foram as principais preocupações e avaliações de dirigentes da esquerda italiana que se reuniram ontem com Lula na Embaixada do Brasil. Principal nome da “Operação Mãos Limpas”, grande operação de combate à corrupção na Itália nos anos 90, e ontem parlamentar italiano e europeu, o ex-magistrado Antonio de Pietro afirmou que “a situação (atual do Brasil) é parecida (com a da Itália na Operação Mãos Limpas), com o agravante de que no Brasil a situação é mais endêmica”, afirmou Pietro.

Pietro é um dos dirigentes da “União”, aliança de nove partidos ou forças políticas de esquerda e centro-esquerda que disputará a eleição italiana no primeiro semestre do ano que vem. Ele disse que tinha “expectativa” maior em relação a Lula, mas o preservou. Afirmou que Lula fez pronunciamento ao País para pedir desculpas pelo escândalo do “mensalão” porque foi “traído” e “fraudado”.

Candidato da “União” a primeiro-ministro, Romano Prodi, que já ocupou o principal posto do governo parlamentarista italiano, disse esperar que Lula supere a crise política e volte a governar com “mais rigor”. Prodi também fez a sua declaração antes do encontro de uma hora e meia com Lula. Ao sair, disse que não tratou da crise política, apesar de o assunto ter sido abordado.

Além de Prodi, participaram outros dois ex-primeiros-ministros, Massimo D’Alema e Giuliano Amato. Partiu do ex-premiê Amato a declaração de que havia forte preocupação na Itália com o desmatamento da Amazônia provocado pelo cultivo da soja e a criação de gado bovino. Disse a Lula que a esquerda italiana estava disposta a reunir ajuda internacional para minimizar o problema.

Lula respondeu que pensaria no caso. E fez observação que deixou o chanceler do brasil, Celso Amorim, apreensivo. Afirmou que já pediu a plantadores de soja e criadores de gado que invistam em projetos de recuperação ambiental. Disse que, se continuassem a devastar, outros países recorreriam à Organização Mundial do Comércio contra esses dois produtos, alegando que são competitivos devido ao desmatamento da Amazônia.

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