Tribuna do Leitor

Fundo de quintal


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Para mim, a felicidade tem um sentido maior quando ligada à simplicidade. Lembro-me da infância no fundo do quintal, de meus irmãos brincando e correndo, do meu pé de manga onde passávamos horas à sua sombra depois das aulas. Era em cima das árvores que também nos divertíamos muito. Neste fundo de quintal, pudemos saborear laranjas, tangerinas, frutas do conde, lima e até o coco da Bahia.

Imagine um enorme pé de coco da Bahia, no fundo deste quintal, carregado durante o ano todo? Crescemos assim, com o perfume das goiabas maduras, das flores das jabuticabeiras, com o cantar dos pássaros e o cantarolar de minha mãe, sempre atenta às nossas travessuras, às vezes alegre, outras vezes brava com a garotada. Mas crescemos muito felizes, unidos pelo amor, pela fé em Deus e por muita vontade de vencer.

Todas as vezes que venho para a casa de minha mãe, disfarçadamente, vou para o fundo deste quintal. É aqui que retorno à minha infância. Lembro-me com detalhes da fisionomia dos meus amigos, de nossas brincadeiras, da pureza que tínhamos, da inocência que morava no coração de cada um.

Não pensávamos que um dia iríamos nos separar, crescer, conhecer outros lugares. Éramos simplesmente felizes. Olho para esta jabuticabeira, toda florida exalando este perfume conhecido. Ela é assim, frutifica o ano todo. Ela é tão nossa amiga que sempre partilhou com as crianças oferecendo a sua fruta tão doce como o mel.

Mudei-me desta cidade, quase não reencontro os amigos. Já passei por lugares muito bonitos, vi de perto outras paisagens, mas, dentro de mim, existe um coração amoroso, que tem a certeza de que em nenhum outro lugar do mundo, eu sou mais feliz, que neste fundo de quintal.

Nilda M. R. Amador - RG 6.439.992

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