Mais do que pesar os limites financeiros, comprar uma moto usada exige olho “clínico” para fugir das armadilhas que um veículo rodado pode esconder. Entretanto, pequenos cuidados antes da aquisição - muitos deles semelhantes aos necessários para adquirir um carro - são suficientes para se precaver das “motocicletasmico” e realizar o sonho de sair com a “cara ao vento”.
A regra número um para sair-se bem sucedido no negócio é efetuar uma inspeção visual detalhada. É o que recomenda Antônio Luiz Trefilio, instrutor de mecânica da unidade bauruense do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai). “Assim como nos automóveis, o visual de uma moto conta muito na hora da venda, pois ele é um dos indicativos do seu estado de conservação”, ressalta.
Para começar, redobre a atenção SOBRE os pneus, componentes da relação - coroa, pinhão e corrente -, porcas, parafusos e escapamento. Sobre os pneus, analise o desgaste e veja se o seu estado bate com a quilometragem do hodômetro. “Geralmente, em motos pequenas, os traseiros, que se desgastam mais, duram entre 10 mil a 14 mil quilômetros, enquanto nas grandes duram entre 6 mil e 8 mil quilômetros. Só que pessoas desonestas fraudam os marcadores de quilometragem para dar a impressão que o veículo é mais novo. Por isso, é essencial conferir o hodômetro”, salienta.
O desgaste dos componentes da relação também deve ser alvo do olho “vivo” do comprador. “A pessoa deve observar, principalmente, os dentes da coroa. Um indício de que a relação já está bem usada e no final de sua vida útil é quando a roda traseira está bem para trás, na última regulagem existente”, orienta Trefilio.
Também é fundamental checar as condições visuais das porcas, parafusos e do motor em busca de pontos de ferrugens e de marcas de chaves. “As marcas denunciam motos que já foram demasiadamente mexidas, muitas vezes com chaves inadequadas”, explica Trefilio. “Já as oxidações, em muitos casos, originam-se de processos inadequados de lavagens. As motocicletas vêm com um banho protetor contra ferrugem em porcas, parafusos e no motor, que é facilmente eliminado quando se utiliza produtos químicos, como Solopan, na hora de lavar. É fácil notar isso, pois a moto perde o brilho e a vida”, acrescenta.
Mas os cuidados não param por aí. A palavra final para o “sim” ou “não” em fechar o negócio só deve ser dada após o interessado efetuar um teste dinâmico na moto pretendida. Na oportunidade, uma das principais preocupações deve ser com o alinhamento do quadro. “Se o piloto estiver andando, soltar o guidão e a moto pender para um dos lados, é sinal de desalinhamento, que é provocado somente por quedas ou acidentes”, esclarece o instrutor.
Outra recomendação de Trefilio é aguçar o ouvido para “caçar” sons ou barulhos anormais do motor. “Ouça primeiro o comportamento em marcha lenta, depois com o motor acelerado e ainda alternando entre a marcha lenta e acelerada. Em todas essas situações a moto não pode apresentar batidas ou ruídos”, alerta.
Por fim, o técnico adverte para os gases do escapamento. “Se estiver soltando fumaça, é sinal de danos internos no motor, que estará queimando óleo e precisará ser retificado. Outra boa maneira de saber é passando o dedo no escape, que é normal ter apenas uma fuligem seca, nunca oleosa”, conclui Trefilio.
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Dicas para o comprador
• Antes de comprar a moto, verifique o registro pelo número do Renavam. Com ele em mãos, você pode consultar a existência de multas e outras pendências em sites como o do Detran de São Paulo: www.detran.sp.gov.br.
• Evite comprar motos que não estejam no nome do vendedor
• Desconfie dos preços muito desproporcionais em relação aos de mercado, pois podem ser indícios de problemas ilícitos, como furtos ou roubos.
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Dicas para o vendedor
• Pela legislação, em caso de venda de um veículo, o proprietário antigo tem prazo de 30 dias para encaminhar ao órgão executivo de trânsito do Estado uma cópia autenticada do comprovante de transferência de propriedade, devidamente datado e preenchido, sem nenhum dos campos em branco, principalmente a assinatura do comprador.
• Quem não avisa o órgão de trânsito da venda corre o risco de ter de se responsabilizar solidariamente pelas penalidades impostas e suas reincidências até a data da comunicação, como ter de arcar com multas de infrações cometidas por outros condutores ou ter problemas se o veículo envolver-se em um acidente de trânsito.
• Para não entrar nessas “roubadas”, adote um hábito simples. Após dirigir-se ao cartório, juntamente com o comprador do automóvel, para efetuar o reconhecimento de firma do recibo da transferência, retire uma cópia autenticada do mesmo e vá à Ciretran comunicar a transação comercial.
• Ao chegar à Circunscrição Regional de Trânsito (Ciretran) com a cópia autenticada do recibo, solicite um requerimento, preencha-o e protocole-o no setor responsável. A Ciretran localiza-se na rua Nicolas Moreno Munhoz, 2-50, no Jardim Contorno. O telefone é (14) 3281-4144.